Alunas concorrem a prêmio com professor da UFMT indicado ao Global Prize 2016
Arquivo Pessoal
Marcio Andrade com o governador Pedro Taques: reconhecimento do trabalho na educação
O professor e pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Marcio de Andrade Batista e seu orientando Gustavo Duarte conseguiram ser finalistas do Camp de Ecoinovação Agrotech: Sustentabilidade para a Cadeia de Grãos, um desafio para start-ups lançado pela ONU Meio Ambiente no dia 16 de junho deste ano.
A ideia deles, explica Gustavo, era baseada em fazer uma injeção de CO2 em garrafas pet para armazenamento e maturação de sementes crioulas.
Essa maneira de guardar as sementes evita, explica, o crescimento microbiano, fazendo com que, na próxima plantação houvesse maior segurança alimentar pois isso possibilitaria maior tempo de maturação, manejo e produção.
Foi o único projeto de Mato Grosso a chegar à final. Infelizmente, não conseguiram levar o prêmio. Porém não deixa de ser um feito notável para um Estado que pouco investe em pesquisa. Além disso, os dois vêm de um campus no interior, o do Araguaia.
Recentemente, um grupo de alunas ganhou o I Grand Prix de Inovação do Senai, ao desenvolverem um cooler para latinhas de cerveja, sucos e refrigerante feitos a partir de pó de serra de madeira. "É muito bonito o trabalho delas: elas pegam pó de serra, que não serve para nada e transformam em cooler para latinhas de bebidas variadas", explica o professor.
Agora, o mesmo projeto vai concorrer ao Prêmio Resposta Para o Amanhã, da empresa coreana de produtos eletrônicos Samsung.
Engenheiro industrial químico, Marcio Andrade Batista também já foi finalista do prêmio Global Teacher Prize, considerado o Nobel da Educação, um prêmio que chega a US$ 1 milhão. Foi o único brasileiro entre os 50 finalistas em 2016. Foram milhares de candidatos de 148 países ao redor do mundo, somente 29 foram representadas entre os finalistas.
A indicação ao prêmio chegou como resultado do trabalho que faz em escolas do ensino médio público, orientando projetos sugeridos pelos próprios estudantes para despertar neles interesse pela ciência desde o ensino básico.
Arquivo Pessoal
Márcio Andrade, Ari e Guilherme, mais as meninas Dheise, Carla, Gaby e Milenna, que desenvolveram um cooler com pó de serra, com o qual ganharam o I Grand Prix de Inovação
“Sempre tive como meta mostrar que ser cientista é tão legal quanto ser jogador de futebol ou outra profissão que os alunos admiram. Queria inserir a ciência dentro do rol de interesses dos alunos”, diz o professor.
Entre os projetos desenvolvidos por alunos sob orientação dele, utilização da casca da castanha de cumbaru, típica daqui, para fazer pisos e a utilização de resíduo de soro de queijo para enriquecer pães e dar mais qualidade à alimentação. Uma de suas alunas, Bianca Valeguzki de Oliveira, ganhou o prêmio Jovem Cientista.
“Quando me mudei para cá, em 2010, vi que a universidade estava muito distante do Ensino Médio. Moramos em uma região pouco favorecida no sentido de acesso a materiais, de disponibilidade de laboratório. A intenção foi trabalhar com alguns alunos para replicar conhecimentos práticos para problemas da realidade deles”, explica.
Prêmios
Entre os prêmios que o professor já ganhou estão o Santander de Empreendedorismo, em 2006, na categoria Indústria; a terceira edição do Werner Von Siemens de Inovação Tecnológica, Reconhecimento 3M - Consumidor Consciente em 2009.
Em 2016, ganhou o prêmio de Novelis de Sustentabilidade com o tema I-Energy Sun Bikes, na modalidade Empreendedor, Categoria Inovação Sustentável - subcategoria Transporte e Automotivo. O projeto consiste na utilização do alumínio para o desenvolvimento de carregadores de energia solar para bicicletas destinadas à recarga da bateria de celulares e smartphones.