Cuiabano produz capa do novo disco dos Simple Minds, lenda do rock britânico
O artista visual cuiabano Heitor Magno, 31 anos, está eufórico com os bons resultados obtidos pelas suas obras em termos de reconhecimento local e mundial. Este ano, fez várias exposições e encerra 2017 com nada menos que a escolha de um de seus trabalhos para a capa do mais recente lançamento da lenda do pós-punk britânico Simple Minds, Walk Between Worlds, cujo pré-lançamento aconteceu na quarta (22) -- o lançamento oficial acontece somente no dia 02 de fevereiro de 2018.
Heitor Magno
Disco do Simple Minds, a ser lançado dia 02/02/2018, traz arte do cuiabano Heitor Magno
A escolha, feita pessoalmente pelo vocalista Jim Kerr, foi de uma das 40 fotos da série de autorretratos Glitch Yourselfie, criada em 2013 mas descoberta pela banda recentemente, quando faziam pesquisas para ilustrar o novo álbum de inéditas. Como na maior parte do trabalho do cuiabano, ele mistura técnicas de fotografia, tratamento e distorção de imagens digitais. “Glitch tem a ver com uma leitura da imagem em relação à falha e é sobre ir contra tipos de padrão de beleza”, explica Magno ao #rdnews.
Nessa sequência, o artista aparece em diversas situações e poses, com o cabelo pintado de diversas cores, de loiro platinado a preto azulado. A opção pelo penteado preto foi porque a banda achou semelhança física entre Heitor e Jim Kerr quando jovem.
Egressa da mesma safra britânica que legou ao mundo The Cure, The Psychedelic Furs, Joy Division/New Order e o U2, entre outras, os escoceses da Simple Minds já venderam nada menos que 38 milhões de álbuns nos seus recém-completados 40 anos de carreira. Entre seus clássicos, o mais conhecido é sem dúvida Don’t You Forget About Me, canção-tema de nada menos que Clube dos Cinco (Breakfast Club, filme emblemático dos anos 80 escrito e dirigido por John Hughes sobre a adolescência e seus desajustes).
Walk Between Worlds foi produzido pela Simple Minds com Andy Wright e Gavin Goldberg, ambos a serviço da gravadora Big Music. São oito faixas distribuídas em 42 minutos de um álbum relativamente conciso, mas com dois lados distintos e muito da sonoridade da velha escola que o cantor Jim Kerr e p guitarrista Charlie Burchill ouviram desde a adolescência.
Heitor Magno
Artista está com tudo na gringa: outro trabalho dele está sendo sondado pela Nothing More
Faixas como Summer e The Signal And The Noise revisitam as guitarras e os trejeitos da dança típica do pós-punk, enquanto a segunda metade do disco explora mais sons cinematográficos, como a faixa-título e Barrowland Star, ambas com orquestrações dramáticas gravadas nos lendários estúdios Abbey Road.
“Barrowland Star também é o nome do icônico salão de baile no East End de Glasgow (Escócia) que hospedou muitos shows memoráveis da Simple Minds. É uma música que tira a banda da sua zona de conforto tradicional, camadas e camadas e um solo de guitarra de Charlie sobre algumas palavras que se encolhem. Para o vocalista Jim e o guitarrista Charlie, tocar em Barrowland sempre foi um grande problema, uma mistura de excitação e medo”, descreve o texto da banda no release de pré-lançamento do disco.
Sobre a capa
“A obra de arte do álbum é do artista visual brasileiro Heitor Magno, cujo trabalho é muitas vezes uma montagem surreal de imagens de cores vivas e fotografias em preto e branco. A imagem que ele criou para Walk Between Worlds é emblemática da metamorfose da Simple Simples. O personagem central na capa frontal, com uma estranha semelhança com um jovem Jim Kerr, também poderia ser visto como uma devastação significativa desde a era de Sons and Fascination (nome de um dos primeiros discos deles, de 1981)”, continua a banda, no material de lançamento.
Pequena biografia do artista
Heitor Magno conta que desenha e pinta “desde sempre”, mas começou a levar a sério mesmo o ofício a partir de sua primeira exposição, realizada em 2012 no Sesc Arsenal. Sobre como foi receber um contato com uma banda que faz parte do imaginário da cultura popular mundial, disse que na verdade a reação foi de descrença. “Eu não acreditei que fosse verdade (risos)”. Depois, já convencido de que era mesmo a banda, achou que eles procuravam-no para fazer um trabalho para eles. Só depois entendeu que a coisa era mais séria.
Heitor Magno
Série Glitch Yourselfie traz 40 imagens, a maioria autorretratos do próprio Heitor Magno
"Compraram todos os direitos da arte porque eles vão trabalhar em cima da imagem, em produtos da banda. Eles têm um shopping, tem camiseta, caneca e CD, mas mesmo assim eles colocaram meu nome no site oficial. Também saiu, na maioria das matérias, meu nome como artista brasileiro Heitor Magno. Está sendo bem legal, recebi e-mails de trabalho e de algumas revistas e jornais importantes”, continua Heitor.
O artista, aliás, tá com o nome rolando entre as bandas gringas desde agosto deste ano, quando os norte-americanos da banda de metal alternativo Nothing More (cujo canal no YouTube tem quase 22 milhões de visualizações, sendo que um único videoclipe, o de This is The Time, tinha 16.851.735 milhões de visualizações no canal VeVo até o fechamento desta matéria) o procuraram para utilizar uma de suas artes no material de divulgação do novo disco. As negociações ainda não terminaram, mas o nome dele com certeza circulou bastante no meio a partir disso.
Heitor Magno
Outro dos trabalhos de Heitor foi parar na capa de revista inglesa. Ano internacional
Conceito
A ideia de distorcer padrões de beleza pensada por Heitor pra criar sua série de autorretratos tem tudo a ver com o que a banda escocesa Simple Minds concebeu para seu mais recente disco, de acordo com o que eles mesmos disseram.
“O álbum tem pelo menos duas músicas sobre fé, Magic e Sense Of Discovery. A primeira é uma reflexão sobre o desejo e a fome da juventude -- a fé em suas próprias habilidades que os Simple Minds possuíam durante seus anos de formação. Sense Of Discovery apresenta um refrão melódico que alude a Alive And Kicking (outro clásssico de 1985) e está centrado na voz de um narrador mais antigo, que passa sabedoria e conselhos para um indivíduo mais jovem”.
Para Heitor, a arte digital tem o significado de "leitura contemporânea da imagem". Mais ou menos como os impressionistas fizeram no século 19, só que agora utilizando softwares ao invés de tintas, óleos e pincéis. Para ele, valeu muito a pena o cerca de um mês e meio de negociação com o produtor gráfico inglês da banda que o contatou. De quanto é o contrato? "Não posso divulgar", responde o artista. Sem problemas, todos têm direito no Brasil de resguardar seus ganhos, especialmente aqueles vindos em euro.
Mantendo o entusiasmo, Heitor também divulgou a capa da revista inglesa Wotisart, que traz alguns dos mais inovadores portfolios artísticos contemporâneos. Meio que a corroborar a ideia seguida por ele, de novas leituras acerca de uma forma de arte cujo princípio remete às paredes das cavernas e que sempre foi feita com inquietações tão antigas quanto a própria humanidade. Ponto pra ele.
Veja outro videoclipe dos Simple Minds (produzido nos 80), para o clássico Alive and Kicking: