Cuiabá, 01/11/2026

Gabriel tem só 9 anos mas já faz resenhas de filmes, livros e cultura pop veja vídeos

Gabriel Ribeiro Pariz Barbosa tem por volta de 1,35m de altura, cabelo loiro, olhar inquieto e um tanto ansioso. Adora falar sobre livros variados, de literatura fantástica, de ficção científica, histórias em quadrinhos, filmes de super-heróis, videogames, constelações, o espaço e até de buracos negros. É um nerd legítimo, do tipo que começou a ler muito cedo, aos quatro anos de idade. Tem perfil no Instagram, fan page no Facebook, dá dicas no canal da loja patrocinadora dele no YouTube e recebe livros de pelo menos duas editoras nacionais para fazer resenhas. À parte tudo isso, mais o jeito seguro de falar e as frases de bate-pronto, Biel para os íntimos faz todas essas coisas do alto de seus pouquíssimos nove anos de idade.

Gilberto Leite

Gabriel tem só 9 anos e pressa de descobrir. Carreira de digital influencer ainda no começo

Faz as gravações e pesquisas pros vídeos nos intervalos das aulas do Ensino Fundamental em uma escola pública (ele não se deu muito bem na escola particular, onde não era exatamente uma unanimidade entre os colegas, como é comum acontecer com os diferentes), joga videogame, brinca e, óbvio, lê.

Dentro de seu quarto, cercado por livros como o Guia do Mochileiro das Galáxias (de Douglas Adams), Uma Breve História no Tempo e Buracos Negros (de Stephen Hawking), as sagas As Crônicas de Nárnia (C.S. Lewis) e, claro, Harry Potter (J.K. Rowling), Gabriel grava os vídeos para o Instagram e o miniprograma Imaginário Nerd, para o canal da DarteShop.

Sobre quando se alfabetizou, o garoto explica ter começado com gibis. “Mas eram gibis beeem infantis, tipo Turma da Mônica. Hoje, gosto mais dos livros das Crônicas de Nárnia; mas não consigo mais ler coisas mais leves, tipo Mickey”, diz, dando ênfase irônica no personagem de Walt Disney. Aos risos da equipe de reportagem, ele emenda: “Véi, eu estou lendo uma coleção de gibis The Walking Dead”. Levemente repreendido por não estar na idade para conhecer tal coisa, ele se faz de desentendido.

Gilberto Leite

Livros entraram de maneira natural na vida de Biel, via mãe e pai. Estante acessível via sofá

Perguntado sobre os universos de super heróis DC e Marvel, ele fala com certo desdém. “Eu assisto os filmes da Marvel, mas os gibis eu não leio. Tenho poucos. Leio mais livros do que HQs”. Quanto à velha disputa entre qual série é melhor, a das Crônicas de Nárnia ou os livros do minibruxo Harry Potter, ele sorri e volta a ser criança, ainda que por alguns momentos apenas, ao responder: “aí é uma dúvida cruel”.

A atual fase de sua vida, ligada às mídias sociais, conta ele, começou por ele ter sempre acompanhado vários canais no YouTube e achar muito interessante principalmente a ideia de interagir com os espectadores inscritos. A mãe e o pai o incentivaram a gravar os primeiros vídeos, e o principal diferencial foi começar a postá-los no Instagram. Daí em diante, começou a publicá-los também no Facebook, “mas só quando são vídeos maiores”, ressalva ele.

Bastante esperto, não está muito preocupado com a quantidade de seguidores, algo em torno dos 250 hoje, mas considerando que é um canal iniciado agora e a pouca idade, fica tranquilo à espera de que esses seguidores apareçam gradual e exponencialmente, sem compras de bancos de dados.

Os pais o apoiam em tudo. O menino reconhece e deixa claro saber que tudo por quanto conhece e gosta é, em alguma medida, no fim, influência de seus pais. Fala numa boa sobre ter começado a ler porque via a mãe, Andreia, sempre com um livro nas mãos. A máxima de que educar é dar exemplo faz-se presente, portanto.
Antes de encerrar a entrevista, vamos até o quarto do menino, conhecer seu set de gravação, de frente pra porta, sobre uma prateleira alta, um monte de brinquedos mais, digamos, infantis.

Gilberto Leite

"Eu nem brinco mais com essas brinquedos", diz Gabriel, envergonhado de coisas de criança

Questionado se são dele (vários exemplares, de diversos tamanhos de Relâmpago McQueen, alguns bichos, um número considerável de carrinhos), a resposta é rápida, mesmo sendo um pouco constrangida: “eu já nem brinco mais com essas coisas aí não”. É hora de rir e deixá-lo à vontade. Já solto, confessa que está mesmo é a fim de ler uma HQ adaptada de Crônicas de Gelo e Fogo, de George R.R. Martin, que ele ganhou recentemente, mas a mãe já avisou que vai demorar um pouco, dado o teor fortemente sexual da obra do norte-americano rechonchudo.

Se for pra ler na idade recomendada, faltam apenas outros nove anos, Gabriel. Ainda há muito mais coisas a descobrir, conhecer e com que brincar até lá. 

Mesmo dando gosto de ver ele postando coisas como "minha dica super, hiper, mega de leitura: Uma Breve História do Tempo, do Stephen Hawking, pela Intrínseca (editora). Todo mundo deveria ler esse livro! Aqui, o atual professor lucasiano explica a história do universo desde a sua origem até os momentos atuais, apresentando as teorias que formaram as peças do espaço, e claro, do tempo", na sua fan page no Facebook, na quinta (23), é bom, talvez, lembrar um de seus preferidos, outro físico/cosmólogo, porém norte-americano, Carl Sagan: “Saber muito não o torna inteligente. A inteligência se traduz na forma que você recolhe, julga, maneja e, sobretudo, onde e como aplica esta informação”.

Em outras palavras, Sagan parece querer dizer: vá sim, pequeno, mas vá devagar, sempre há uma coisa lá fora, à espera de ser descoberta. E ela não vai fugir. Não precisa ter pressa.