Cuiabá, 17/10/2026

Após “bate-boca” entre juíza e advogados, júri da morte de PM é adiado para 2026

Até lá, o policial civil Mário Wilson irá continuar usando tornozeleira eletrônica

Josi Dias/TJMT

Os advogados de defesa do réu e a juíza Mônica Perri

A juíza titular da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, Mônica Cataria Perri Siqueira, remarcou para o dia 16 de maio de 2026 o júri do investigador de Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, que começou na manhã dessa terça-feira (16). O réu é acusado de matar a tiros o policial militar Thiago de Souza Ruiz, em uma conveniência de posto de combustível nas proximidades da Praça 8 de Abril, em Cuiabá, em abril de 2023.

A decisão ocorre depois de um "bate-boca" entre a magistrada e o advogado de defesa do réu, Claudio Dalledone que teria ficado insatisfeito com a atuação da juíza, que supostamente não teria deixado ele concluir seu raciocínio. O jurista chegou a chamar a Comissão de Defesa das Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil – seccional Mato Grosso (OAB-MT).

A defesa alegou que a juíza demonstrou “protagonismo judicial exacerbado na condução da prova”, violou a “paridade de armas” e “desprestigiou a advocacia” e “inércia judicial diante de ofensas do Ministério Público” durante a sessão de julgamento iniciada na segunda-feira (15).

Também acusou o juízo de não registrar questões de ordem na ata do júri. Os advogados de defesa pediram o afastamento da magistrada da presidência do caso, ou o envido dos autos à instância superior com efeito suspensivo.

Em sua decisão, a magistrada entendeu que não há qualquer indício de parcialidade e que suas intervenções durante o julgamento “consistiram no exercício regular da direção dos trabalhos”. “As perguntas complementares feitas pelo juízo tiveram exclusiva finalidade de elucidação, jamais de favorecimento à acusação”, destacou a juíza na decisão.

“A afirmação de que esta magistrada teria formulado perguntas em ‘tom acusatório’ ou que teria ‘antecipado juízo de valor’ não encontra respaldo na realidade dos fatos. As perguntas complementares feitas pelo juízo, após esgotadas as inquirições das partes e dos jurados, têm exclusiva finalidade de elucidação, jamais de favorecimento à acusação”, acrescenta.

Ela ainda destacou que, o Conselho de Sentença que participou da sessão de segunda foi dissolvido e não julgará mais o caso. “Assim, eventual influência que os fatos narrados pela defesa pudessem exercer sobre os jurados que compuseram aquele Conselho de Sentença, o que não reconheço, tornou-se completamente irrelevante, vez que um novo Conselho de Sentença, composto por jurados diversos, membros de uma nova temporada, que não presenciaram os acontecimentos anteriores, é que julgará o acusado”.

A juíza designou novo julgamento para o dia 16 de maio de 2026. Até lá, o policial civil Mário Wilson irá continuar usando tornozeleira eletrônica.