Cuiabá, 06/10/2026

Defesa critica linchamento e diz que não há provas de agressões de advogado a ex

Rodinei Crescêncio/RDNEWS

O advogado Eduardo Mahon defendeu o também advogado Cleverson Contó das acusações de violência doméstica que foram apresentadas ao MPE

A defesa do advogado Cleverson Contó, feita pelo também advogado Eduardo Mahon, afirmou que há um “linchamento moral” nas acusações de abuso e agressão feitas pelas mulheres vítimas dele. Mahon defendeu que não existem provas suficientes para condenar Contó e que uma dívida teria motivado as denúncias de violência doméstica.

O advogado protocolou representação criminal contra as vítimas por extorsão e denunciação caluniosa junto ao Ministério Público Estadual (MPE). Também no MPE, uma das vítimas, a mulher M. V., entrou com outra representação na última sexta (4) pelos abusos e citou outras nove vítimas do advogado.

Mahon convocou coletiva de imprensa na manhã desta quarta (9). O defensor ponderou que é notório que “temos uma sociedade patriarcal e há necessidade de políticas públicas para dar Justiça à mulher”. Citou exemplos de mulheres proeminentes do Judiciário e do jornalismo.

O advogado lamentou a situação envolvendo Contó, M. V. e outra vítima que publicou vídeos nas redes sociais denunciado os abusos, a mulher L. M.

“Fazer das redes sociais uma arquibancada para linchamento antecipado numa equivocada estratégia de cancelamento não deve ser tolerado tanto quanto a ocorrência de violência doméstica”, disse Mahon.

Para a defesa, há uma “coordenação para demolir a imagem” de Contó. Ele ponderou que “caso seja comprovado, deve ser responsabilizado”. “Mas nunca pelas redes sociais, mas sim por um magistrado isento para diferenciar o que é fato comprovado do que é tentativa de extorsão”.

Ele criticou a figura do "juiz de Facebook". O advogado citou que o relacionamento do advogado com L. M. “redundou em um triângulo amoroso altamente instável. Não se trata de responsabilizar a mulher por um relacionamento entre adultos que só compete a eles. Importa, no entanto, promover um histórico de L. de prejudicar tanto o primeiro quanto o segundo companheiro”.

A defesa disse que há “prática de constrangimento” dela em relação ao outro ex e de Contó, inclusive com "ressentimento e débitos".

A denúncia ao MPE seria uma “estratégia para se esquivar de pagamentos e obter indenizações cíveis e condenações criminais à mingua de testemunhas que não aparecem”. 

Mahon citou um áudio em que uma das mulheres convoca as demais para “depor sem provas”. Há, segundo ele, pedidos para gravação de “atos íntimos”, e “reiterada perseguição” que acabou por resultar em uma liminar obtida por Contó para proibir uma das vítimas de publicar as denúncias nas redes sociais.