Defesa pede desinternação de homem que matou e arrancou coração da tia; Justiça nega
Lumar Costa da Silva está internado na unidade desde dezembro de 2025
A juíza da 2ª Vara Criminal de Cuiabá, Caroline Schneider Guanaes Simões, manteve a internação de Lumar Costa da Silva, que matou e arrancou o coração da tia Maria Zélia da Silva, 55 anos, em Sorriso, (a 420 km de Cuiabá), no ano de 2019. Ele segue no Centro Integrado de Atenção Psicossocial à Saúde Adauto Botelho (Ciaps), em Cuiabá.
Reprodução
Lumar Costa da Silva
Em junho do ano passado, o juiz Geraldo Fernandes Fidelis Neto, da 2ª Vara Criminal de Cuiabá, havia determinado a desinternação de Lumar, se baseando em um relatório produzido pela equipe do Ciaps que o considerou “apto para alta hospitalar”, e que deveria continuar o tratamento no Caps no município de Campinas (SP), onde vive o pai dele.
No entanto, após um episódio de violência doméstica envolvendo a ex-mulher, mãe de sua filha, voltou a ser internado no Adauto Botelho, em dezembro de 2025.
Neste ano, a equipe da unidade informou que ele está cooperativo, sem sintomas psicóticos agudos e com relativa estabilidade clínica, chegando a sugerir uma nova desinternação. A Defensoria Pública também defendeu o retorno ao tratamento em liberdade, e o Ministério Público se posicionou contra.
Em sua decisão, a magistrada ressaltou que a estabilidade dentro de um ambiente hospitalar, com vigilância e medicação controlada, não significa que Lumar tenha deixado de representar risco em liberdade.
Ela ainda citou o diagnóstico de Transtorno de Personalidade Antissocial (psicopatia) de Lumar, caracterizado por marcante indiferença afetiva, ausência completa de empatia, sentimento de culpa ou arrependimento pelo crime hediondo perpetrado, além de tendência ao vitimismo e à manipulação comportamental.
Por fim, a juíza determinou que a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) faça, com urgência, um novo exame para avaliar a periculosidade de Lumar. Até que o resultado seja apresentado e novamente analisado pela Justiça, ele continuará internado no Adauto Botelho.
Reprodução, tia de Lumar Costa da Silva
A vítima Maria Zélia da Silva
O caso
O brutal assassinato aconteceu em uma residência na rua Rio Negro, no bairro Vila Bela, em Sorriso. Lumar havia ido para Sorriso para morar com a tia Maria Zélia após brigar com a mãe. Segundo testemunhas, a tia não aceitava o fato de o sobrinho ser usuário de drogas.
Para a psiquiatra, que emitiu o primeiro laudo, o réu chegou a contar que tinha medo de ficar na casa tia, pois acreditava que as pessoas queriam lhe roubar as roupas e que haviam câmeras na casa lhe vigiando.
Após desentendimentos com a mulher, Lumar foi morar em uma quitinete ainda em Sorriso. Alguns dias depois voltou para a casa de Maria Zélia e, durante um desentendimento, cometeu o crime.
Em entrevista à jornalistas, ele confessou o crime. Alegou que o "universo" o mandou assassinar a tia. “Matei ela mesmo, não me arrependo de ter matado, ela mereceu morrer", disse à época.