Excesso de tiros, ausência de sinais de confronto e até carro incriminam PMs
Polícia Civil e Ministério Público investigam 24 mortes em supostos confrontos com a Polícia Militar
Rodnei Crescêncio
Ao todo, a Polícia Civil, por meio da Operação Simulacrum, investiga 24 mortes, que teriam ocorrido por supostas execuções praticadas por policiais militares em Mato Grosso. Com base nos inquéritos do Ministério Público Estadual (MPE), a força tarefa apura as semelhanças entre 8 episódios que ocorreram ao longo de três anos, entre abril de 2017 e março de 2020.
A princípio, as ocorrências investigadas foram registradas como morte em confronto. Contudo, durante a apuração dos fatos, percebeu-se que o número de disparos efetuados pelos policiais militares era totalmente desproporcional às situações de conflito apresentadas.
Conforme a investigação, há casos em que o veículo utilizado pelos supostos assaltantes foi alvejado por mais de 100 disparos de arma de grosso calibre. Entretanto, a perícia não detectou sequer um disparo na direção oposta, o que é muito comum em situação de disputa.
Outro fato que chamou atenção da investigação é que em várias ocorrências foi informada a presença de um segundo ou terceiro veículo de apoio dos criminosos. Porém, em todas as situações o carro conseguia foragir do local e em 4 delas, tratava-se do mesmo modelo, sendo sempre um VW Fox de cor vermelha.
Montagem
Operação Simulacrum
Diante das suspeitas de que os casos estariam diretamente interligados, a Delegacia Especializada De Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) criou a Força-Tarefa 01/2021, com a intenção de facilitar o compartilhamento das informações e seguimento as atividades.
Além disso, a investigação possui um delator, membro dos suspostos crimes, que confirmou todas as suspeitas que já existiam.
Em depoimento, foi revelado que as situações eram armadas em conjunto com policiais militares, atraindo suspeitos com passagens criminais ou não, simulando que seria para praticar um crime. Porém, as vítimas seriam atraídas para emboscadas e acabavam sendo vítimas de execuções.