Cuiabá, 16/10/2026

Execução foi bem planejada, mas não existe crime perfeito, destaca delegado

Delegado Bruno Abreu, da DHPP, disse que o crime foi um homicídio empresarizado, com divisão de funções

O delegado Bruno Abreu, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cuiabá, admitiu que a execução do advogado Renato Nery foi bem planejada, mas destacou que não existe crime perfeito. O crime aconteceu no dia 5 de julho de 2024. Nesta quinta (15), o atirador, Alex Roberto de Queiroz Silva, é julgado pelo Tribunal do Júri.

Conforme as investigações da Polícia Civil, o crime foi realizado a mando do casal de empresários César Jorge Sechi e Julinere Goulart Bastos. Os policiais militares Jackson Pereira Barbosa e Ícaro Nathan Santos Ferreira são apontados como intermediários. Já Alex teria sido contratado pelo policial militar Heron Teixeira Pena Vieira para executar o advogado.

Rodinei Crescêncio/Rdnews

 O delegado Bruno Abreu, da DHPP

Em conversa com os jornalistas após prestar depoimento durante o Júri, no Fórum de Cuiabá, o delegado disse que o crime foi um ‘homicídio empresariado’. “Foi um crime que envolve não só homicídio, mas sim ocultação de prova, fraude processual, abuso de autoridade. Tem policiais militares presos, envolvidos. É um homicídio empresarizado, né? É como se fosse uma empresa criada, com divisão de funções para a prática do crime. Foi muito bem planejado”, salienta.

“Mas não há um crime perfeito. Às vezes, há um crime mal investigado. Graças a Deus, a Polícia Civil foi mais esperta do que eles”, acrescenta.

Ainda conforme Abreu, os julgamentos e as prováveis condenações devem coroar o trabalho de investigação da Polícia. “Um crime de mando é muito difícil de se comprovar o pagamento e nós conseguimos comprovar o pagamento da Julineri para o Jackson, que fez a distribuição do dinheiro. Hoje aqui eu vim só confirmar o que nós fizemos ao longo desses dois anos”.

“Foi uma investigação muito difícil, muito complexa, que demandou muito trabalho e o resultado está aí. Todo mundo preso, e eu tenho praticamente certeza que vão ser todos condenados pelo júri”, completa.

Rodinei Crescêncio/Rdnews

O réu, Alex Roberto de Queiróz Silva, que é julgado pelo Tribunal do Júri nesta quarta

Relembre o caso

Renato Gomes Nery foi baleado na manhã de 5 de julho de 2024, em frente ao escritório onde trabalhava, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá. Ele chegou a ser socorrido e submetido a cirurgia, mas morreu no dia seguinte em um hospital particular.

Ao longo de um ano de investigação, a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) concluiu que o assassinato foi motivado por uma disputa envolvendo uma propriedade rural. As apurações apontam que o crime foi planejado com cerca de 90 dias de antecedência e executado mediante pagamento.

Conforme a Polícia Civil e a denúncia do Ministério Público, Alex Roberto foi contratado pelo PM Heron Teixeira Pena Vieira para executar o advogado. Posteriormente, as investigações identificaram como intermediários os policiais militares Jackson Pereira Barbosa e Ícaro Nathan Santos Ferreira. Já os empresários César Jorge Sechi e Julinere Goulart Bastos foram apontados como mandantes do homicídio. Todos permanecem presos preventivamente e aguardam julgamento.