Cuiabá, 18/10/2026

Justiça cancela audiência de instrução de filho de ex-deputado réu por matar 2

Juíza aceitou pedido da defesa e vai aguardar laudos periciais para marcar nova data

A audiência de instrução do empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, filho do ex-deputado federal Carlos Bezerra (MDB), que aconteceria nesta segunda-feira (13), foi cancelada pela Justiça após pedido da defesa por falta de laudos periciais. Carlinhos, como o réu é conhecido, é acusado de ter assassinado a ex-namorada Thays Machado, de 44 anos, e o então companheiro dela, William Moreno, de 30 anos.

Ambos foram mortos a tiros em plena luz do dia, em frente a um edifício residencial de classe média alta no bairro Consil, próximo à Avenida do CPA, em Cuiabá. A audiência de instrução teria início às 13h30 e seriam ouvidas oito testemunhas de defesa e do Ministério Público. Na audiência de instrução deveria ser decidido também se o réu será submetido a julgamento popular.

Montagem/RDNews

No entanto, após pedido da defesa, a juíza Ana Graziela Vaz de Campos, da 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra Mulher de Cuiabá, decidiu suspender o ato processual. Nova data ainda será marcada, assim que houver os resultados dos laudos periciais.

Acusação

O Ministério Público Estadual acusa Carlinhos de homicídio e feminicídio qualificado - motivo torpe, meio cruel e perigo comum, surpresa e impossibilidade de defesa da vítima. No recebimento da denúncia, a juíza acolheu o pedido do MPE para retirar a acusação de “perseguição majorada”.

Na denúncia, o MPE salienta que o réu, sentindo-se desafiado pela ousadia da vítima em pôr fim ao namoro, resolveu se vingar dela e do namorado matando-os.

"Agiu o denunciado de forma cruel e covarde, revelando extrema perversidade, ao agredir a vítima com diversos disparos de armas de fogo, descarregando uma pistola semiautomática em área urbana de intensa movimentação de pessoas, em plena luz do dia, no horário comercial de um dia útil, causando o risco de vir a atingir também transeuntes que nada tinham a ver com o seu alvo, resultando perigo comum", diz trecho da denúncia.

O MPE pontua ainda que, embora a vítima estivesse ciente de que, durante o relacionamento, o denunciado a perseguia, não sabia que após o término do namoro ele continuasse a monitorá-la, acompanhando todos os seus deslocamentos.

"A ação extremamente calculada do acusado em comparecer naquele local, exatamente no momento em que a vítima estava exposta na calçada de costas para a rua, subtraiu dela a possibilidade de realizar qualquer gesto efetivo de defesa (abaixar-se, correr e distancia-se do atirador), sendo acolhida de surpresa, recebendo os tiros fatais, inclusive, pelas costas. O denunciado resolveu eliminar a vida da vítima por razões da condição do sexo feminino, ou seja, por envolver violência doméstica e familiar (ex-namorada) e menosprezo à condição de mulher", pontuou.

A denúncia destaca que, após o réu efetur os disparos contra a ex, a outra vítima, Willian, começou a correr rapidamente pela calçada tentando distanciar-se do agressor, mas Carlinhos fez nova manobra no veículo, aproximou-se do rapaz e realizando diversos outros disparos em direção a ele, utilizando a mesma arma.