Cuiabá, 13/10/2026

Justiça mantém preso fazendeiro suspeito de mandar matar advogado

Decisão da 12ª Vara Criminal de Cuiabá foi assinada após revisão periódica de cautelares

Apontado como mandante da execução do advogado Roberto Zampieri - ocorrida em 2023, em Cuiabá -, o fazendeiro Aníbal Manoel Laurindo teve a prisão preventiva em regime fechado mantida pela Justiça de Mato Grosso. A decisão, resultado da revisão periódica das medidas cautelares do processo, foi assinada no dia 5 de outubro pelo juiz André Barbosa Guanaes Simões, da 12ª Vara Criminal de Cuiabá.

"Os elementos investigativos indicam, em tese, que Aníbal teria atuado na encomenda do homicídio de Roberto Zampieri, em contexto relacionado a disputa judicial envolvendo terras no Estado de Mato Grosso e no qual se investiga atuação articulada de diversos agentes", escreveu o magistrado.

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O fazendeiro Aníbal Manoel Laurindo

Além de Aníbal, o juiz também manteve as prisões de Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa, e do coronel da reserva do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas - atualmente custodiado na Penitenciária Federal de Brasília -, apontados como o executor, o intermediário e o financiador do crime, respectivamente.

Antônio, Hedilerson e Etevaldo foram os primeiros réus a serem julgados pelo crime. No Tribunal do Júri de Cuiabá, no dia 2 de outubro, o trio foi condenado e recebeu penas que, somadas, ultrapassam 68 anos de prisão em regime fechado.

Para o réu Gilberto Louzada da Silva, foi preservada a modalidade de prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, considerando o estado de saúde debilitado e a necessidade de tratamento médico contínuo.

O magistrado também acolheu em parte um recurso da defesa de Peterson Venites Komel Júnior, que responde ao processo em liberdade. O juiz negou o pedido para retirar a tornozeleira eletrônica, mas flexibilizou as regras de deslocamento para adequar o monitoramento à rotina de trabalho do réu.

Com a mudança, Peterson foi autorizado a circular entre Barueri e a capital de São Paulo, inclusive por vias metropolitanas de trânsito. O magistrado também ampliou o horário de recolhimento noturno obrigatório, que passou das 20h para as 22h.

Outro ponto da decisão trata de um impasse técnico envolvendo dois discos rígidos externos (HDs) enviados pela Polícia Federal com cópias de dados de aparelhos apreendidos. Como um dos dispositivos apresentou defeito de leitura e o outro não teve a integridade validada presencialmente, o juiz determinou que a PF envie uma nova mídia funcional. Depois disso, o material passará por perícia da Politec de Mato Grosso para conferência de dados e posterior compartilhamento com as defesas em ambiente seguro na nuvem.

Por conta das falhas técnicas que impediram o acesso completo ao conteúdo dos laudos, o juiz manteve suspensos os prazos para apresentação ou complementação das defesas prévias dos réus. A contagem de dez dias só será iniciada quando os arquivos forem liberados para consulta, garantindo o direito à ampla defesa antes da manifestação do Ministério Público na primeira fase do Tribunal do Júri.

Nove réus

Em junho deste ano, a Justiça acatou denúncia contra nove pessoas investigadas pelo assassinato do advogado Roberto Zampieri. A denúncia foi recebida pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 12ª Vara Criminal da Capital. Com isso, se tornaram réus: Elenice Ballarotti Laurindo, Aníbal Manoel Laurindo, Etevaldo Luiz Caçadini, Hedilerson Fialho Martins Barbosa, Antônio Gomes da Silva, Peterson Venites Komel Junior, Salezia Maria Pereira de Oliveira, Mário Jorge Bucater e Gilberto Louzada da Silva.

De acordo com as investigações da Polícia Civil, o assassinato teria sido cometido por um grupo organizado, com divisão de tarefas, voltado a execuções sob encomenda. O crime teria sido motivado pela disputa da Fazenda Lagoa Azul, em Paranatinga, avaliada em R$ 100 milhões.

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No detalhe, o advogado Roberto Zampieri

O crime

No dia 5 de dezembro de 2023, o advogado Roberto Zampieri deixou o escritório em que trabalhava e, ao entrar no seu veículo, um Fiat Strada, foi surpreendido pelo assassino. Os agentes policiais informaram que foram disparados cerca de 10 tiros na direção do advogado. Nas gravações, obtidas por meio de câmeras de segurança de empreendimentos da localidade, é possível ver que o assassino cometeu o crime com o rosto descoberto, usando uma caixa para abafar o som, e que ele fugiu a pé.

A execução de Zampieri desencadeou uma série de investigações contra um lobista e desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), acusados de negociarem a venda de sentenças com o advogado executado. O crime contra Zampieri não tem relação com o lobista ou desembargadores afastados, mas foram descobertos devido as análises do celular do advogado pós-execução.