Cuiabá, 16/10/2026

MP denuncia outros dois PMs por assassinato de advogado em Cuiabá

O crime ocorreu em 5 de julho de 2024, em frente ao escritório da vítima, na Avenida Fernando Corrêa

O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) ofereceu uma nova denúncia relacionada ao homicídio qualificado do advogado Renato Gomes Nery, de 72 anos, ocorrido em Cuiabá. Desta vez, foram denunciados os policiais militares Jackson Pereira Barbosa e Ícaro Nathan Santos Ferreira, ampliando o número de supostos envolvidos no crime.

A nova denúncia foi ajuizada no dia 26 de junho pelos crimes de homicídio qualificado (mediante paga ou promessa de recompensa, emprego de meio que resultou perigo comum, recurso que dificultou a defesa do ofendido e idade avançada da vítima); fraude processual; abuso de autoridade e organização criminosa. Em maio deste ano, o MP já havia denunciado o policial militar Heron Teixeira Pena Vieira e o caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva por participação no mesmo homicídio.

Montagem: PJC/Reprodução

De acordo com a nova denúncia, os policiais militares “agindo em concurso de pessoas e em contexto de organização criminosa, participaram do meticuloso planejamento e execução do homicídio qualificado do advogado”. O crime ocorreu em 5 de julho de 2024, em frente ao escritório da vítima, na Avenida Fernando Corrêa.

Conforme o MP, ambos atuaram como intermediários em uma cadeia criminosa que culminou na execução da vítima, atingida por disparos de arma de fogo efetuados por Alex Silva, sob a coordenação de Heron Vieira. O crime teria sido motivado por promessa de recompensa no valor de R$ 200 mil. Jackson teria atuado como intermediário principal, coordenando o crime e realizando pagamentos parciais, enquanto Ícaro teria fornecido a arma usada (uma pistola Glock, configurada para disparos automáticos) e facilitado a transferência do pagamento.

Motivação

Conforme o MP, o homicídio foi praticado no contexto de uma disputa judicial envolvendo mais de doze mil hectares de terras no Município de Novo São Joaquim (a 485 km de Cuiabá). A vítima havia obtido uma vitória judicial significativa, resultando em perdas financeiras para as partes adversas. Além disso, havia apresentado uma queixa ética contra outros advogados, acusando-os de operar um "escritório do crime" com suposta participação de um membro do Judiciário.

Histórico criminal

Jackson Pereira Barbosa e Ícaro Nathan Santos Ferreira já foram denunciados anteriormente pelo MPMT no âmbito da Operação “Simulacrum”. A denúncia foi assinada pelos promotores de Justiça Élide Manzini de Campos, Rinaldo Segundo, Rodrigo Ribeiro Domingues e Samuel Frungilo.