Cuiabá, 14/10/2026

STF valida criação de Boa Esperança do Norte; MT terá 142 municípios

Gilmar Mendes argumentou que a criação de Boa Esperança do Norte atende interesses da população

O  Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu julgamento virtual nessa sexta-feira (06) e validou a emancipação de  Boa Esperança do Norte (402 km de Cuiabá). Com isso, Mato Grosso passa a ter 142 municípios.

Dorivan Marinho/STF

  Pelo placar de  oito votos a três, o STF reconheceu a legitimidade do município. Assim, atendeu  a  Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) apresentada pelo MDB nacional em 2021.

O município de Boa Esperança do Norte foi criado  pela Assembleia Legislativa no ano 2000. No entanto,  Nova Ubiratã judicializou o caso, recorrendo ao  Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

Em 2020, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) chegou a autorizar a  realização de eleições em Boa Esperança do Norte. Desta vez, atendendo mais uma pleito de Nova Ubiratã, o processo eleitoral foi cancelado por decisão do  Tribunal Superior Eleitoral (TSE)  

 Ocorre que  Nova Ubiratã perderá   área equivalente a 80% do território com a criação de Boa Esperança do Norte. Sorriso também perde extensão territorial, mas em proporção bem menor.

O relator da  ADPF 819, ministro Luís Roberto Barroso, votou para invalidar a criação de Boa Esperança do Norte. O ministro Gilmar Mendes abriu divergência e foi acompanhado pela maioria dos membros do Supremo.

  Gilmar Mendes argumentou que a criação de Boa Esperança do Norte atende interesses da população. Também disse que não é motivado pelo desejo de aumentar a máquina pública.

"Destaco, como uma nota final, que, diferentemente do que se observou em boa parte dos casos de criação de municípios na experiência constitucional pós-1988, a pretensão de instalação do Município de Boa Esperança do Norte não aparenta ser irrefletida ou motivada pelo mero intuito de aumento da máquina pública para a criação de novos cargos e a captação de recursos públicos em âmbito local",  diz trecho do voto.

Barroso foi acompanhado por Carmem Lúcia e Edson Fachin. Já Nunes Marques, Luís Fux, André Mendonça, Rosa Weber, Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli votaram com a divergência do decano Gilmar Mendes.