Cattani quer perseguir educadores de MT com aulas filmadas e disque-denúncia leia
Caso seja aprovado, projeto vai desencadear uma verdadeira caça às bruxas aos professores do Estado
Fablício Rodrigues
Cattani, que não tem preparo técnico para debater educação, quer interfeir no magistério
O deputado estadual Gilberto Cattani (PSL), militante da direita e apoiador do presidente da República Jair Bolsonaro (PSL), apresentou projeto de Lei para instituir o Programa Escola Sem Partido em Mato Grosso. Caso seja aprovado, vai desencadear uma verdadeira “caça às bruxas” aos professores do Estado.
Isso porque, o projeto de Lei apresentado por Cattani, que não é educador e nem possui qualificação técnica para debater o assunto, coloca os educadores sob suspeição ao dizer que a categoria se aproveita “da audiência cativa dos alunos para promover os seus próprios interesses, opiniões, concepções ou preferências ideológicas, religiosas, morais, políticas e partidárias”. A proposta, na alegação do autor, busca proibir a suposta prática no âmbito dos estabelecimentos de ensino.
Para o parlamentar existe perseguição política nas escolas e o projeto garantirará que o professor em sala de aula “não favorecerá nem prejudicará ou constrangerá os alunos em razão de suas convicções políticas, ideológicas, morais ou religiosas, ou da falta delas”.
Para consolidar a “caça às bruxas”, Cattani quer assegurar aos estudantes o direito de gravar as aulas com o pretexto de “permitir a melhor absorção do conteúdo ministrado e de viabilizar o pleno exercício do direito dos pais ou responsáveis de ter ciência do processo pedagógico e avaliar a qualidade dos serviços prestados pela escola. No entanto, o objetivo é promover a perseguição no mundo real e nas redes sociais de qualquer educador que leve seus alunos a exercer o senso crítico e desagrade os “reacionários de plantão” como o próprio Cattani.
Cattani também quer proibir os professores de fazer propaganda político-partidária em sala de aula ou incitar seus alunos a participar de manifestações, atos públicos e passeatas como se as escolas não tivessem projeto político-pedagógico. E o parlamentar também pretende determinar que, ao tratar de questões políticas, socioculturais e econômicas, o educador deve apresentar aos alunos, de forma justa, as principais versões, teorias, opiniões e perspectivas concorrentes a respeito da matéria.
O deputado bolsonarista também defende, no projeto, que as escolas respeitem o direito dos pais dos alunos a que seus filhos recebam a educação religiosa e moral que esteja de acordo com as suas próprias convicções. Com isso, demonstra desconhecimento ou desrespeito a pluralismo da própria sociedade brasileira já que a liberdade de crença é assegurada pela Constituição e famílias homoafetivas já são uma realidade.
Disque-Denúncia
O objetivo de promover “caça às bruxas” na educação fica evidente quando Cattani propõe que o Poder Público contará com canal de comunicação destinado ao recebimento de reclamações relacionadas ao descumprimento desta do Programa Escola Sem Partido, assegurado o anonimato. Além disso, quer tornar o descumprimento dessas normas ato de improbidade administrativa.
Ideologia de Gênero
E como se não bastasse, Cattani usa o discurso da ideologia de Gênero como se os educadores de Mato Grosso, em vez de ensinar os conteúdos, estivessem dedicados a incentivar os alunos a transexualidade ou homossexualidade dentro das escolas. Com isso, destila homofobia e desconhecimento da realidade da educação pública.
PageFlips: PL Escola Sem Partido
“Nos últimos anos a sociedade brasileira testemunhou uma série de ações contra os valores éticos e sociais da família, mencionados como dignos de respeito no inciso IV do art. 221 da Constituição Federal, no capítulo dedicado à Comunicação Social. Estas ações migraram do rádio para a televisão, e desta para as páginas da internet, culminando nas escolas, especialmente no que se refere à ideologia de gênero e da orientação sexual, estimuladas por ideologias partidárias, ansiosas por substituir valores éticos, morais e religiosas por concepções ideológicos partidárias, procurando de um só golpe, substituir aqueles valores pelo que eles consideram certos ou “modernos”, diz trecho da justificativa.