Cuiabá, 18/09/2026

Contadora de histórias que encenou feto sendo abortado é cuiabana - veja

Nyedja Cristina Gennari Lima Rodrigues, de 50 anos, virou notícia nacional após encenar as reações de um feto gritando e chorando durante um aborto

A contadora de histórias, Nyedja Cristina Gennari Lima Rodrigues, de 50 anos, que virou notícia após encenar as reações de um feto gritando e chorando durante um aborto, em sessão no Senado da República, é natural de Cuiabá. A cuiabana vive em Brasília desde 1987 e faz apresentações em shows, casamentos e eventos.

Geraldo Magela\Agência Senado

A performance foi feita nessa segunda-feira (17), durante sessão para debater o Projeto de Lei 1904/24, em tramitação no Congresso Nacional, que equipara o aborto de gestação acima de 22 semanas ao homicídio, incluindo casos de estupro. 

Durante a encenação, Nyedja gritava que queria continua viva e que não queria que seu parto fosse antecipado. Aos berros, ela, ainda encenando a fala de um feto, disse que não queria tomar a injeção de produtos químicos chamada de assistolia fetal, um procedimento recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para evitar que o feto nasça com sinais vitais.

 Segundo o Portal Metrópoles, parceiro do #rdnews, até maio do ano passado, Nyedja trabalhava para o senador bolsonarista Izalci Lucas (PL-DF) e recebia R$ 7.158 de salário.

PL do aborto

O PL 1904/24 é de autoria do deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e tem como objetivo alterar o Código Penal, que atualmente não prevê restrição de tempo para realização da interrupção da gravidez.

De acordo com o artigo 128 do Código Penal, é permitido o aborto quando não se há outro meio de salvar a vida da mãe e quando a gestação é resultante de estupro em mulheres e crianças. Nestes casos, não há prazo estipulado.

Caso seja aprovado, o projeto irá criminalizar mulheres e crianças, independentemente da idade, que praticarem aborto após o período de 22 semanas de gestação, mesmo em casos onde a gravidez é de risco ou que é fruto de uma violência sexual. Com isso, mulheres e crianças que fizerem aborto após o período estipulado podem pegar 20 anos de prisão.

Da bancada mato-grossense na Câmara Federal, o deputado Abilio Brunini (PL) é um dos co-autores que defendem pena maior para a vítima do que para o estuprador. Segundo Abilio, o objetivo da proposta é evitar o “homicídio de bebês”.

Junto com Abilio, a deputada federal Coronel Fernanda (PL) também subscreve a matéria. Nas redes sociais, os parlamentares de Mato Grosso são contabilizados como membros da chamada "Bancada do Estupro". 

A proposta fere diretamente o direito das mulheres e as colocam em uma posição pior do que a dos criminosos que praticaram o estupro, já que o artigo 213 do Código Penal, tem como pena mínima 6 anos e máxima de apenas 10 anos, para estupradores quando a vítima é adulta. Em casos que as vítimas são menores de idade, a pena mínima sobe para oito anos e chega no máximo 12 anos.

Já nos casos onde a vítima tem menos de 14 anos ou é incapaz de oferecer resistência, configurando assim estupro de vulnerável, a pena é de 8 a 15 anos. Ou seja, em todos os casos, as vítimas ainda são condenadas a uma pena maior que a dos estupradores.