Cuiabá, 21/09/2026

Em 4 anos, só R$ 333 mi de R$ 1,5 bi de emendas coletivas são liquidados

Propostas voltadas a obras da Copa-2014 não resultaram em liberação efetiva pelo governo federal

Se a aprovação do mandato parlamentar fosse limitada à execução na prática das emendas de bancada, os 8 federais e os 3 senadores mato-grossenses da legislatura passada estariam todos reprovados. Levantamento feito pelo Rdnews revela que nos últimos quatro anos (2011 a 2014), eles apresentaram R$ 1,5 bilhão em emendas coletivas junto ao orçamento da União. Mas, desse montante, só foram efetivamente empenhados e pagos obras e outros projetos no Estado que somaram apenas R$ 333 milhões.

Após morte de Homero Pereira, Eliene Lima assumiu a coordenação da bancada, que não obteve bons resultados na liberação de recursos das emendas coletivas

Integravam a bancada na Câmara Júlio Campos, Eliene Lima, Carlos Bezerra, Valtenir Pereira, Nilson Leitão, Wellington Fagundes, Homero Pereira, que faleceu, abrindo vaga para Ságuas Moraes, e Pedro Henry, que renunciou, o que levou Roberto Dorner a ocupar a cadeira.

No Senado estavam Jayme Campos, Pedro Taques e Blairo Maggi. Nos quatro anos coordenaram a bancada Homero e depois Eliene.

 Existem as emendas de bancada, aquelas coletivas apresentadas todo ano pelos 11 que representam Mato Grosso em Brasília, e as individuais, cujo valor hoje é de R$ 16,3 milhões por parlamentar.

Enquanto  emenda individual se torna impositiva, levando o Palácio do Planalto a liberá-la no decorrer do ano, embora quase todas com cortes no valor, a coletiva, com dotação maior, não traz segurança quanto a sua execução.

Mário Okamura/Rdnews

Levantamento detalhado dos últimos 4 anos das emendas coletivas apresentadas junto ao orçamento da União e os valores autorizados e efetivamente liquidados

A reclamação geral dos parlamentares é de que fazem estudos e se esforçam para tentar viabilizar investimentos, a partir das emendas, mas o Executivo não avança no sentido de liquidá-las. Por causa disso, muitas propostas que são ignoradas pelo governo em um ano acabam repetidas pela bancada no exercício seguinte.

De 2011 a 2014

Dos últimos quatro anos, 2011 foi o que mais teve recursos liberados. De R$ 351,7 milhões das emendas de bancada, o governo liquidou R$ 222,8 milhões. Foram R$ 19,9 milhões para construção do hospital universitário Júlio Muller, R$ 27,1 milhões em obras na BR-070, na região de Barra do Garças; R$ 131 milhões em obras na Justiça do Trabalho e R$ 35,9 milhões no contorno rodoviário de Cuiabá, na BR-364.

As emendas coletivas para obras da Copa-2014, como a que destinou R$ 19,2 milhões para construção do Centro Oficial de Treinamento, o COT do Pari, em Várzea Grande; e R$ 19,9 milhões em equipamentos preparativos para o Mundial; e ainda R$ 31,1 milhões para obras na Região Metropolitana, não tiveram um centavo de liberação - saiba mais no quadro acima.

Em 2012, foram programados R$ 500,4 milhões, mas só R$ 52 milhões liquidados pelo governo da presidente Dilma. Foram R$ 13,4 milhões para reestruturar, construir e equipar o hospital Júlio Muller; R$ 13,1 milhões ao Judiciário; R$ 12,5 milhões na expansão da UFMT e R$ 12 milhões em adequação na BR-070, na região de Primavera do Leste.

No exercício de 2013, a União contemplou MT, a partir de emendas de bancada, em apenas R$ 47,1 milhões, embora deputados e senadores tivessem programados R$ 393 milhões. A construção de um trecho na BR-174, nas regiões de Castanheira e Colniza, consumiram R$ 35,2 milhões do total. Outros R$ 6,4 milhões foram para projetos de modernização e infraestrutura tecnológica da Justiça do Trabalho.

No ano passado, o Planalto liberou apenas R$ 11 milhões dos R$ 268,8 milhões do bolo das emendas. A maior delas, cuja autorização foi de R$ 43,7 milhões, mas só liberados R$ 7,4 milhões, atenderam as propostas de expansão das instituições federais de Educação Profissional e Tecnológica.