Imbróglio do Júlio Müller será discutido com a UFMT; deputado crê em consenso
Deputados admitem emenda à lei para manter unidade em Cuiabá, se universidade solicitar
Gilberto Leite/ALMT
A polêmica envolvendo a localização do novo Hospital Universitário Júlio Müller, cuja área passou a integrar Santo Antônio de Leverger após decisão da Assembleia Legislativa, será debatida em reunião com a reitora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Marluce Aparecida, nesta sexta-feira.
“Eu tenho certeza de que, em breve, esse imbróglio estará superado. O aspecto histórico é muito importante, mas o aspecto técnico também é. E quem vai continuar gerindo o hospital universitário tem que ser ouvido. O dono do hospital tem que ser ouvido. Então, acredito que, nas próximas semanas, mais esse imbróglio terá sido resolvido”, afirmou o deputado estadual Wilson Santos em entrevista ao #rdnews.
Conforme Wilson, autor da proposta promulgada pelo Parlamento, caso a UFMT manifeste interesse em manter a unidade em Cuiabá, os deputados devem aprovar, de forma célere, uma emenda à lei já promulgada, devolvendo especificamente esse trecho do território à Capital.
As obras do novo hospital correm o risco de serem suspensas em razão da possível perda de licenças, já que, inicialmente, a área pertencia a Cuiabá. Para o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, a transferência do Hospital Universitário Júlio Müller de Cuiabá para Santo Antônio de Leverger “não tem muita lógica”, pois, segundo ele, o segundo município não teria estrutura para administrar um hospital de tal magnitude. A Secretaria de Saúde também será ouvida para a construção de uma solução.
Imbróglio
O impasse veio a público após o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), criticar duramente o projeto aprovado e promulgado pela Assembleia Legislativa. O liberal passou a se movimentar politicamente para tentar reverter a perda do território, que envolve também outras áreas, como parte do Morro de Santo Antônio e a região do Pequizeiro.
Abilio já se reuniu com o presidente da Assembleia, Max Russi, para tratar da questão e não descarta ingressar com uma ação questionando a constitucionalidade da nova redefinição dos limites territoriais.
A prefeita de Santo Antônio de Leverger, Francieli Magalhães (PSB), por sua vez, afirma que está adotando todas as medidas cabíveis para garantir a continuidade das obras do novo Hospital Júlio Müller. Segundo ela, a legislação aprovada pela Assembleia apenas devolveu áreas que historicamente pertencem ao município.
A prefeitura sustenta ainda que a área onde está localizado o hospital sempre foi de Santo Antônio de Leverger e que a decisão da AL apenas restabeleceu essa realidade territorial.
Devolução de terras
Wilson Santos defende que a lei foi pensada porque Santo Antônio de Leverger vem, historicamente, perdendo territórios para diversos municípios. “Perdeu uma área expressiva de produção agrícola recentemente para Juscimeira; perdeu seis comunidades para Campo Verde; perdeu áreas para Barão de Melgaço, Poconé, Nossa Senhora do Livramento, Várzea Grande e Cuiabá. E agora a questão do Morro de Santo Antônio. Com esse episódio, com esse projeto da minha autoria, junto com o deputado Max, o deputado Eduardo Botelho e o deputado Nininho, somos quatro autores, e ele foi aprovado por unanimidade aqui na Assembleia”, explicou.
Ainda segundo o parlamentar, o prefeito Abilio já teria aceitado a devolução do território a Santo Antônio de Leverger, restando agora o debate específico sobre a localização do novo hospital.