Mauro resiste a fim da PEC 6x1: brasileiro trabalha até 16h nos EUA
Mauro critica fim da escala 6x1 e defende modelo dos EUA, com jornadas maiores para elevar a renda
Rodinei Crescêncio/Rdnews
O ex-governador e senador eleito Mauro Mendes (União Brasil) segue resistente à possibilidade de avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1, que começa a ser discutida no plenário do Senado nesta terça-feira (6). Ainda sem direito a voto no Legislativo federal, já que será empossado no ano que vem, Mauro alegou que o Estado não deve interferir tão diretamente na relação entre empregado e empregador e defendeu o modelo dos Estados Unidos, onde, segundo ele, o trabalhador pode “aumentar” sua remuneração executando mais horas de serviço por dia.
“Defendo que o trabalhador no Brasil possa trabalhar como se trabalha nos Estados Unidos. Porque lá nos Estados Unidos nós temos aí milhares e milhares e centenas de milhares de brasileiros que fogem daqui. Entram clandestinamente nos Estados Unidos para trabalhar 12, 14, 16 horas por dia. E ganham por isso, e ganham muito mais por isso, e têm uma qualidade de vida melhor”, iniciou ele.
Nesta toada, Mauro, que também é empresário, alegou que, no Brasil, as leis trabalhistas criaram uma série de dificuldades tanto para quem gera emprego quanto para quem realmente quer trabalhar. Assim, afirmou que uma jornada de trabalho de 11 horas pode ser enquadrada como trabalho análogo à escravidão, situação que considera descabida.
“No Brasil, se um trabalhador trabalhar 11h por dia, o patrão, a empresa, vai ser processado por trabalho escravo. Olha que absurdo. E nós temos centenas de milhares de brasileiros fugindo do país, entrando clandestinamente, repetindo novamente, porque é muito grave isso, gente. Então, nós temos que reformar numa amplitude de um mundo moderno, onde as pessoas não são mais imbecis ou desinformadas, como eram antigamente”, endossou ele, dizendo que o mundo globalizado não deixa margem para “exploração”.
A PEC 221/2019, aprovada em setembro pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, prevê o fim da escala 6x1, com dois dias de repouso semanal remunerado, sem redução salarial. O texto reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, que podem ser distribuídas em cinco dias de trabalho. A discussão em plenário começa nesta terça-feira (6), e a proposta ainda precisará cumprir cinco sessões de debate antes da votação em primeiro turno.
A medida é uma das bandeiras defendidas pelo presidente Lula (PT), que buscava a aprovação antes do primeiro turno. Agora, o início da discussão da proposta no Senado ocorre às vésperas do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro, quando Lula enfrentará o senador Flávio Bolsonaro (PL), que terminou a primeira etapa na liderança.