Cuiabá, 21/09/2026

Servidores do TJ se revoltam com novo pedido de vista e devem iniciar greve

Presidente do Sinjusmat avisa que paralisação do Judiciário inicia nesta quarta

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Rosenwal Rodrigues, presidente do Sinjusmat

Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso estão em peso na sessão de hoje (5) na Assembleia e ficaram revoltados ao saber que o deputado estadual Doutor Eugênio (PSB) pediu nova vista do projeto que prevê a concessão de reajuste de 6,8% aos servidores ativos do Judiciário. Em meio à forte pressão do Palácio Paiaguás, que é contrário à proposta, na semana passada, Beto Dois a Um (PSB) já havia pedido vista da proposta. Texto já foi aprovado em primeira votação.

“É lamentável. Eu, ontem, fiz um comunicado por WhatsApp a todos os deputados estaduais pedindo a eles, com humildade, que votassem o projeto dos servidores e a gente parasse com essa guerra. O governador, que hoje eu tenho o nome dele de Brucutu do Estado do Mato Grosso, ele mandar no Judiciário, quer mandar no Legislativo e no Executivo. Os poderes têm que se revoltar contra essa atitude”, dispara sindicalista Rosenwal Rodrigues, presidente do Sinjusmat, em entrevista à imprensa.

Visivelmente irritado, Rosenwal reclama que a interferência na proposta desrespeita a Constituição Federal e que os servidores não irão admitir. “Hoje, quarta-feira se a Justiça mato-grossense está começando a parar é por conta do Brucutu Mauro Mendes, vamos hoje parar todas as atividades do Judiciário”, anuncia o sindicalista. Ele explica que trabalhos serão paralisados hoje temporariamente e que uma greve pode ser deflagrada por tempo indeterminado.

O novo adiamento da votação revoltou servidores presentes, que ameaçam deflagrar greve. Além dos servidores de carreira, o presidente do Tribunal de Justiça, José Zuquim; a vice-presidente Nilza Maria Pôssas de Carvalho e o desembargador Orlando Perri foram pessoalmente ao Parlamento solicitar a votação e aprovação da matéria. Apesar disso, tema foi adiado mais uma vez. Perguntado sobre a visita, minutos antes de saber do novo adiamento, Zuquim disse que foi um encontro institucional e sem exigências.

“Agora, eu não vim para pedir nada. Eu espero que o Legislativo cumpra o seu papel, aprecie aquilo que foi encaminhado. Tudo foi feito dentro do nosso orçamento. Não existe nenhuma anomalia na proposição”, assevera Zuquim, em entrevista à imprensa.

Governo teme efeito cascata

O secretário estadual de Fazenda, Rogério Gallo, nesta semana, criticou a proposta de reajuste salarial de 6,8% aos servidores da Poder Judiciário, argumentando que a medida deve intensificar cobranças de outras categorias para equiparação do percentual, resultando em um cenário de alerta para as finanças do estado mato-grossense. "Pode gerar efeitos nas demais categorias, nos demais Poderes. Acaba gerando um precedente. Reivindicação não é justo? Se um teve, por que o outro não pode ter?", reclama.

Na ocasião, Gallo chegou a dizer que o estado teria que "vender picolé" para custear reajustes em razão dos efeitos da reforma tributária. Em resposta, hoje servidores levaram uma caixa de picolé com fotos do secretário e do governador Mauro Mendes.  "Essa análise também de impacto previdenciário, ela é fundamental. Nós precisamos nos preparar porque os efeitos de decisões dessas, elas não vão impactar amanhã e nem depois. Elas vão impactar lá quando a gente estiver sem dinheiro pelo impacto da reforma tributária. E aí, o que nós vamos fazer? Vender picolé na rua, como está sendo feito lá nos Estados Unidos com o shutdown? Eu estou usando aqui uma figura de expressão, mas é fato. Nós precisamos, de fato, nos preparar", argumentou Gallo nesta semana.

Diante da situação, Executivo tem conversado com deputados para tentar impedir a concessão do reajuste. Clima é tenso e pressão deve aumentar com o início da paralisação, anunciada por servidores.