Cuiabá, 22/09/2026

Sob gritos de assassino, Paccola chora e se defende: Também tenho mãe

Câmara de Cuiabá julga conduta do parlamentar em processo administrativo; vereador é réu por homicídio

Alex de Oliveira

Nesta manhã de quarta (5), a Câmara de Vereadores de Cuiabá realiza sessão extraordinária para analisar o pedido de cassação do mandado do vereador tenente-coronel Marcos Paccola (Republicanos). Durante discurso, o parlamentar chorou, enquanto o público o vaiava e gritava “assassino”.

Paccola é réu por homicídio qualificado, após atirar 3 vezes nas costas do agente socioeducativo Alexandre Miyagawa. O crime ocorreu em julho, em frente de uma distribuidora no bairro Duque de Caxias, em Cuiabá.

A sessão que analisa o processo disciplinar do vereador por quebra de decoro estava marcada para ocorrer na semana passada, mas foi adiada, pois coincidia como o fim do período eleitoral. Para o parlamentar perder a prerrogativa de vereador são necessários treze votos.

Durante discurso na tribuna hoje, Paccola se defendeu, dizendo que não ficou feliz ou satisfeito com a morte de Alexandre. No entanto, admite que naquela situação, alguma pessoa sairia ferida, inclusive ele.

“Me envolvi em diversas situações envolvendo pessoas armadas, em condições diferentes, logicamente. Foi uma decisão, infelizmente trágica, na junção da falta de experiência e conhecimento técnico, com álcool”.

Ele continua, dizendo que ninguém viu que ele chora e que também tem família. Neste momento, familiares e amigos de Alexandre vaiam o vereador.

“Queria dizer que as vezes ouvindo minhas falas, não tenham vistos as minhas lágrimas, nem a da minha família. Não pensem, ao irmão, a mãe [de Alexandre], eu também tenho mãe. Naquele dia essa decisão que eu tomei, se não fosse aquela, talvez eu não estaria aqui, muito provavelmente não estaria aqui”, se lamenta.

No entanto, admite que naquela situação, alguma pessoa sairia ferida, inclusive ele, já que o agente também estaria armado.

“Não é que ele queria me atirar porque sou malquisto ou pelo meu histórico, porque numa situação com duas pessoas que se encontrassem naquele cenário, dificilmente a gente consegue ter um resultado diferente daquele que já teve”.