Cuiabá, 22/09/2026

Vereadora do PT pede afastamento e cassação de Paccola na Câmara

A petista ressalta que não se trata de uma antecipação de julgamento, mas que o Parlamento precisa se posicionar politicamente sobre o caso

A vereadora por Cuiabá Edna Sampaio (PT) confirmou que protocola ainda hoje (4) o pedido de afastamento e abertura de processo de cassação contra o vereador e tenente-coronel Marcos Paccola (Republicanos) por quebra de decoro parlamentar em razão da morte do agente do sistema socioeducativo Alexandre Miyagawa, o Japão, de 41 anos, na sexta (1º de julho). Paccola confirmou ser o autor dos disparos, mas alega legítima defesa. Caso é investigado pela Polícia Civil.

Rodinei Crescêncio

Em entrevista à imprensa, a petista ressalta que todos os parlamentares estão afetados com a situação e que o assunto deve ser tratado com muito respeito porque a tragédia envolve duas famílias, a da vítima fatal ( Japão), e também a de Paccola.

"Coisas relacionadas ao crime têm que ser investigadas pelas autoridades policiais. Esta Câmara não tem papel de investigação policial, mas sim no âmbito do decoro parlamentar", disse em entrevista à imprensa logo após o fim da reunião de Colégio de Líderes que debateu a situação. Na ocasião, Paccola apresentou a sua versão aos colegas e os parlamentares debateram a situação.

O presidente Juca do Guaraná (MDB) disse aos jornalistas que a Comissão de Ética acompanhará a situação, mas ainda não estava sabendo do pedido de Edna. A parlamentar, por sua vez, ressalta que a quebra de decoro parlamentar não abrange apenas o comportamento do vereador dentro da Câmara, mas também fora dela.

"Nós sabemos que essa é uma tragédia que afeta de uma forma muito dolorosa todas as famílias, mas precisamos tomar uma atitude institucional e a Comissão de Ética tem que ser provocada para tomar essa atitude, então, não vai faltar uma provocação da Comissão de Ética", reforça.

Edna ressalta que a ideia não é antecipar o julgamento de Paccola, mas ressalta que o vereador, por diversas vezes, utiliza as suas redes para incitar o uso da arma como legítima defesa e que é necessário que a Câmara tome uma posição política, após o caso tramitar na Comissão de Ética. Grupo de vereadores vai avaliar se ele incorreu ou não em quebra de decoro parlamentar. 

Caso

Alexandre, conhecido pelos amigos como "Japão" foi morto na sexta (4). Ele estava acompanhado da namorada Janaina Sá, que afirmou que a vítima estava com a arma guardada no coldre a todo momento. Paccola, por sua vez, alega legítima defesa.

Ele diz que determinou ao seu assessor para que recolhesse a arma do agente do chão logo após os disparos, em razão da suposta instabilidade emocional da namorada. A revólver, segundo o vereador, estava ao lado da mão direita do agente.

As duas versões foram apresentadas são investigadas pela Polícia Civil que abriu inquérito para apurar o caso e o delegado Hércules Batista Gonçalves está à frente das investigações.