Cuiabá, 08/10/2026

Wilson alega que volta à Assembleia para defender a retomada do VLT

Secretário estadual de Cidades (Secid) licenciado, Wilson Santos (PSDB) retorna temporariamente à Assembleia para defender o acordo de retomada das obras VLT, que ficou em R$ 922 milhões para ser concluído. “Estou voltando porque tenho que cumprir a missão do VLT. Nós assumimos aqui a secretaria com várias missões, mas a principal era destravar o VLT. Foi mais de R$ 1 bilhão implantado e a sociedade exige a conclusão dessa obra”, explica em entrevista à Rádio Capital FM.

Neste aspecto, Wilson explana que o Parlamento tem feito vários questionamentos em relação ao acordo feito entre o governo e o Consórcio VLT Cuiabá/Várzea Grande para retomada das obras. Pelo entendimento entre as partes, o Estado vai pagar R$ 922 milhões para a conclusão integral da implantação do sistema. A previsão é de que as obras sejam retomadas em maio deste ano, com prazo de 24 meses.

Gilberto Leite/Rdnews

Wilson Santos no Paiaguás, enquanto secretário estadual de Cidades. Deixa o posto para voltar à AL

“Primeiro, eu preciso colocar que foi uma orientação da Justiça Federal. Na movimentação do juiz da 1ª Vara, Ciro Arapiraca, ele coloca claramente duas posições: ou o governo se entende com o consórcio ou rescindiria o contrato”. Wilson ainda destaca que foram quatro meses de longas discussões envolvendo o Estado, a Secid, a Procuradoria Geral e o gabinete do governador Pedro Taques (PSDB). 

“Chegamos a um dominador comum, não só no número dos R$ 922 milhões, dos quais R$ 313 milhões são da Gestão Silval Barbosa (PMDB). Na verdade, o que nós vamos gastar para terminar o VLT são R$ 609 milhões”, diz, destacando que os R$ 609 milhões vão pagar uma dívida que, atualizada em Euro e parte em dólar, em ação cambial, correção monetária, chega a R$ 313 milhões. “E nós não podemos jogar um trabalho enorme desse sob qualquer dúvida”, complementa. 

Dessa forma, Wilson lembra que Taques determinou que esses números fossem avaliados pelo Ministério Público Estadual e também pelo Ministério Público Federal. Após avaliação, esse documento, que é o termo de acordo, vai até a Justiça Federal para que Ciro Arapiraca possa homologar ou não. 

“Então, como é algo importantíssimo, muito dinheiro envolvido, convenci o governador da minha volta temporária à Assembleia. Ela tem o aval do governador. Todos estão de acordo que eu vá para o Legislativo prestar todos os esclarecimentos e que nós tiremos toda e qualquer dúvida em relação à negociação de governo e Consórcio VLT”, pondera. 

CPI da Copa

A CPI das Obras da Copa concluiu o relatório final em outubro passado. O relatório sugere o indiciamento de sete agentes políticos, 96 agentes públicos, 16 empresas privadas e sete consórcios de empresas. Além disso, indica a devolução de R$ 541,1 milhões aos cofres públicos. Segundo o presidente da CPI, deputado Oscar Bezerra, a comissão trabalhou 1 ano e 3 meses e gastou mais de R$ 3 milhões em dinheiro público. O parlamentar chegou a dizer que teme que ela termine em pizza. 

O relatório criminalizaria o Consório, mas Wilson garante que não está voltando para defender o mal feito do governo Silval. “De forma nenhuma. Essa questão a Justiça vai tratar. E é por isso que o governador Pedro Taques quer que isso seja homologado pela Justiça Federal".

Neste sentindo, explica que há quatro ações em andamento na Justiça. Das quatro ações, duas foram propostas pelo MPE e duas pelo MPF. “Quem vai julgar isso não é o governo estadual. Todo esse relatório vai chegar ao Poder Judiciário. Então, não cabe a nós dizer esse aspecto penal criminal, se houve ou não. Nós só discutimos basicamente o valor da era Silval que foi medido e não foi paga a atualização financeira, bem como o quanto vamos gastar para concluir”.

Para Wilson, se houve malservação de recursos públicos ou superfaturamento, até mesmo propina, é o Judiciário quem vai definir. “Por isso que  Taques disse: não faço um metro do VLT sem autorização do Poder Judiciário”.

Jajah Neves 

Desde quando Wilson foi nomeado secretário de Cidades, o suplente Jajah Neves, do mesmo partido, assumiu a cadeira na Assembleia. Contudo, nos bastidores, comenta-se que o tucano estaria insatisfeito com a atuação do suplente. Apesar disso, nega. 

“Deputado Jajah está cumprindo o mandato de maneira cristalina e correta. Ele é titular enquanto estiver lá. Ao retornar para a Secid, ele reassume. Então, não tem nenhuma tratativa. O que eu recebo da Assembleia é meu salário”, destaca, lembrando que tinha opção de receber pelo Estado ou pelo Parlamento. Dessa forma, continua recebendo apenas o salário do Legislativo, que chega a um pouco mais de R$ 18 mil.