Cuiabá, 17/09/2026

Uefa declara guerra à Fifa e ameaça boicote à Copa do Mundo

Entidade europeia rejeita criação de empresa para gerir direitos comerciais e diz que Copa do Mundo não está à venda

A Uefa anunciou nesta quinta-feira (30) que suas 55 associações-membro vão boicotar todas as competições organizadas pela Fifa enquanto permanecer em discussão a proposta de criação de uma empresa privada para administrar os direitos comerciais dos torneios e vender participação a investidores.

Reprodução/Fifa

 

A decisão foi tomada após uma reunião de emergência realizada na quarta-feira (29). O boicote atinge todas as competições da Fifa, incluindo a Copa do Mundo e a Copa do Mundo Feminina de 2027, marcada para o Brasil. A entidade afirma que só voltará a participar dos torneios caso a proposta seja retirada definitivamente.

O projeto, apresentado pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino, prevê a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), subsidiária avaliada em US$ 20 bilhões, da qual pouco mais de 20% seria destinado a investidores privados, em uma operação que pode levantar até US$ 4,2 bilhões. Entre os potenciais investidores estaria a Thrive Eternal, empresa comandada por Joshua Kushner.

Segundo Infantino, a iniciativa ampliaria os recursos destinados ao desenvolvimento do futebol. A proposta prevê dobrar o financiamento básico às federações, de US$ 10 milhões para US$ 20 milhões nos próximos quatro anos, elevando o total de repasses até 2038 para US$ 86 milhões por associação.

A Uefa, no entanto, classifica a proposta como uma tentativa de "intimidação" e "coerção". Em nota, a entidade afirmou que o projeto foi elaborado sem consulta às federações e advertiu que a entrada de investidores privados pode submeter o futebol à lógica do lucro.

"A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. Ela pertence ao futebol e não está à venda", afirmou a entidade, que classificou a rejeição ao projeto como "unânime e inequívoca". (Com informações da Carta Capital e Terra)