Cauã celebra sucesso de série e abre o jogo sobre ser pai novamente
Capa gshow do mês de agosto, o artista faz um balanço do novo momento da carreira, reflete sobre a proximidade dos 50 anos e se derrete pela filha, Sofia
De óculos escuros, camisa levemente desabotoada e sorriso fácil, Cauã Reymond chega ao ensaio fotográfico do gshow no Santa Teresa Hotel MGallery, no bairro boêmio de mesmo nome, no Rio de Janeiro. Entre um clique e outro, ele cumprimenta funcionários do local, manda beijo para uma hóspede, brinca com as fotógrafas e posa sem esforço. Desde o início da carreira, Cauã se acostumou a despertar olhares. Mas, desta vez, a atenção está voltada para um novo capítulo da sua trajetória: o sucesso de Jogada de Risco, série original do Globoplay criada e protagonizada por ele.
Para celebrar esse momento, Cauã estrela a Capa Gshow de agosto, em que fala sobre a carreira, a proximidade dos 50 anos, os cuidados com o corpo e o papel que considera mais importante, o de pai da Sofia.
Pupin+Deleu/gshow
Os recordes
Fazendo um trocadilho com o título da série, Cauã admite que colocar o projeto de pé foi a maior jogada de risco da sua carreira. A ideia era boa: mergulhar nos bastidores do futebol profissional e mostrar o "lado proibido" do esporte, um universo que desperta a curiosidade do público. Depois do seu insight, veio o tempo de pesquisa, venda do projeto para a Globo, concepção do roteiro e as filmagens. Ao todo, foram seis anos até o lançamento.
A espera valeu a pena. Jogada de Risco se tornou a série original de ficção de maior alcance da história do Globoplay, considerando os sete dias de exibição após a estreia. Levando em conta este mesmo período, ela também bateu o recorde de série mais vista nos últimos cinco anos.
É muito especial saber que a gente está batendo vários recordes, e ainda mais quando você tem uma ideia e vê isso se materializando. Eu fico emocionado, acho que a ficha ainda não caiu.”
Cenas de sexo e nudez
A série ainda movimentou as redes sociais com suas cenas de sexo e de nudez. Segundo Cauã, essas sequências faziam parte da proposta do projeto desde o início, e foram conduzidas com a ajuda de uma coordenadora de intimidade, que garantiu o conforto e a segurança dos atores no set.
“Uma das ideias iniciais é que a gente tivesse os corpos masculinos expostos, que retratasse esses corpos como acontece no vestiário. A forma como o Bruno Safadi [diretor] e o Mauro Pinheiro [diretor de fotografia] construíram essa narrativa, traz um lugar de realidade muito grande", defende Cauã, que já esperava o "impacto" no público. "Não vejo isso como um problema, porque faz parte do universo do futebol, como é que você não vai retratar isso?"
A estreia como diretor
Jogada de Risco também possibilitou que Cauã experimentasse um novo lugar no set: o de diretor. Sob a mentoria de Bruno Safadi, ele conduziu algumas cenas da produção, mas admite que não pretende focar nesse ofício.
"Foi muito gostoso conversar com os atores, poder dividir com eles onde eu errei em uma cena, onde eu acho que eles podem namorar um pouquinho mais a câmera. Eu me vejo muito mais nesse lugar de criativo, de trazer ideias, equipes, elenco, do que trabalhar diretamente nesse departamento. Diretor trabalha muito. Minha cabeça já não para, se eu for dirigir, aí eu não durmo mais", brinca.
O início aos 22 anos
Hoje, Cauã circula pelo set à vontade, sugere caminhos para os colegas de trabalho, traz referências e está sempre atento aos detalhes. Mas ele não se esquece das inseguranças do início da carreira. Foi aos 22 anos que o então modelo fotográfico teve a chance de se arriscar na TV, na pele do personagem Maumau, em Malhação (2002).
Personagem mais difícil é sempre o primeiro. Não sabia fazer direito, era minha primeira vez na televisão. Na mesma época, eu estava gravando Ódiquê?, que foi um filme superpremiado, que rendeu elogios. E com o Maumau, eu recebia muitas críticas. Eu era muito verde e queria melhorar."
O auge e a depressão após Avenida Brasil
Cauã alcançou um novo patamar de popularidade com Avenida Brasil. Exibida em 2012, a novela de João Emanuel Carneiro se tornou um fenômeno, sendo vendida para dezenas de países. Apesar da repercussão mundial e do carinho do público por Jorginho, o ator conta que não se sentia 100% preenchido naquele momento.
Ali eu percebi que fui muito mais longe do que eu imaginava na minha caminhada, por ter vindo de uma infância de situações difíceis, principalmente na minha família por parte de mãe. Então, foi difícil assimilar que já tinha conquistado as coisas que eu queria", recorda ele, que teve a infância marcada por situações delicadas: sua mãe era soropositiva e sua tia convivia com esquizofrenia.
O equilíbrio veio algum tempo depois, e o criador de Jogada de Risco revela o que lhe ajudou a alcançar o bem-estar:
"Já fiz alguns tipos de análise, hoje eu faço psicanálise e eu gosto muito."
Proximidade dos 50 anos
Aos 46, Cauã conta que passou a refletir sobre o futuro e sobre os aspectos em que ainda pode evoluir com a proximidade dos 50 anos:
“Tem uma reflexão que surgiu: ‘o que eu quero para daqui a 5 anos?’. Eu tento entender o que pode melhorar na paternidade, nas relações, na abordagem do personagem, agora nesse novo lugar de criador. Eu não sou um cara muito de ficar olhando para trás, mas eu gosto quando algo acontece e me desafia a melhorar.”
Creminho e máscara
E quando o assunto é boa forma, Cauã não esconde ser um homem vaidoso com a aparência. Além de manter à risca uma rotina de atividades físicas - que envolve surfe, musculação e jiu-jitsu -, ele também dedica atenção especial, diariamente, ao rosto e aos cabelos.
Me cuido muito para ficar bem. Passo minoxidil no cabelo, creminho no olho para a olheira, acho legal colocar uma mascarazinha antes de ir para o set, cuido dos meus dentes... Não só os procedimentos estéticos, mas a forma como você se alimenta, a prática da musculação, que é ótima para a memória, vem ajudando a população a ficar cada vez mais jovial.”
O maior papel da vida: o de pai da Sofia
Quem acompanha Cauã nas redes sociais já percebeu que ele costuma ser o parceiro dos "rolês" de Sofia, fruto de seu relacionamento com Grazi Massafera. Seja em viagens, sessões de cinema, partidas de videogame ou até em shows de divas do Pop e do K-Pop, o ator acredita que dividir experiências é o caminho para manter o diálogo sempre aberto.
É uma relação de cura. Tive pais muito jovens, então quando você consegue quebrar certos padrões de como você foi criado, é um sentimento tão bom. Na chegada da adolescência, eu tenho intimidade com a minha filha, e não um distanciamento, o que poderia ser comum nessa fase.”
Cauã ainda completa que já teve várias conversas sobre namoro com a filha de 14 anos. Ao ser questionado se sentirá ciúmes de um futuro namorado de Sofia, ele pondera:
"Vamos ver (risos). Eu tenho muitos amigos que têm filhas na mesma idade e, às vezes, um ou outro é mais ciumento, fica nervoso com esse assunto e tal, e eu falo: ‘Cara, é tão importante que você esteja próximo nesse momento’."
A possibilidade de ter mais filhos
Falando sobre paternidade, Cauã Reymond não descarta a chance de dar um irmãozinho ou irmãzinha para Sofia. "Teria, sim", afirma ele. Diante da resposta, o gshow quis saber se a chegada da filha mudou seus critérios na hora de escolher uma parceira.
Não sei se a palavra certa é ‘criterioso’, porque parece estar limitando. Mas eu acho que você passa a se interessar por outros assuntos. Alguns assuntos me interessam, outros já não me interessam tanto.”