Gramado da Arena não é mais importante que os 300 anos de Cuiabá, critica Bezerra
Tchélo Figueiredo
Deputado Carlos Bezerra durante encontro da bancada federal e o governador Mauro Mendes, hoje, no Paiaguás
O deputado Carlos Bezerra (MDB) classifica como um “absurdo” o governador Mauro Mendes (DEM) não ter liberado a Arena Pantanal para a realização do Festival Cuiabá 300 anos, marcado para abril, em celebração ao tricentenário da Capital. Em razão disso, o prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) cancelou as festividades que estavam sendo planejadas há quase um ano.
“Não é possível que um gramado seja mais importante que 300 anos da Capital”, disparou o deputado, que ficou indignado com a justificativa dada pelo presidente da Federação Mato-Grossense de Futebol (FMF), o empresário Aron Dresch, que é dono do Cuiabá Esporte Clube. Aron disse, conforme relato de Emanuel, que o festival iria estragar o gramado.
Aron e a empresária Margaretti Buzzetti, que nas últimas eleições se aproximou do governador Mauro Mendes, chegaram a provocar o Ministério Público para que emitisse um parecer contrário à liberação da Arena Pantanal para as festividades promovidas pela Prefeitura de Cuiabá. O fato foi noticiado pelo Blog do Romilson.
Mais uma vez, a decisão de Mauro tem demonstrado a pouco empatia com o prefeito Emanuel. Desde as eleições, que os dois vem trocando farpas, e demonstrando pouca disponibilidade para uma relação política sadia.
Com o posicionamento do governador, Emanuel acabou dando um segundo tiro no pé, visto que já havia cancelado o Carnaval 2019, para investir recursos no festival. Nos bastidores, o cancelamento feito em cima da hora provocou o descontentamento das escolas de samba tradicionais da Capital, que chegaram a investir os escassos recursos para participar da festa popular em março, mas em troca só foram convidadas pelo prefeito para se apresentarem no Festival dos 300 anos.
O descontentamento se deu, porque na apresentação que deveria ser na Arena, a participação das escolas seria apenas figurativa, sem o direito à premiação, cujo valor se aproxima de R$ 200 mil, distribuídos entre as três escolas melhor classificadas.
Bezerra diz acreditar que apesar de ser um “absurdo”, a decisão de Mauro deve ter sido motivada pelo posicionamento do MPE e do presidente da FMF, o que em tese, não sofreu influências da dissonância política com Emanuel.