Leitão deixa o comando do PSDB após 6 anos; Paulo assume e quer unir lideranças
Durante o evento, PSDB reforçou a estratégia de buscar a reeleição de Taques e lançar Nilson ao Senado
Airton Marques
Com perfil apaziguador, caberá a Paulo Borges conduzir os trabalhos para reeleger Taques
Por aclamação, os tucanos de Mato Grosso elegeram o ex-vereador pela Capital Paulo Borges como o novo presidente da executiva estadual (biênio 2018/2019). A eleição foi realizada na noite desta sexta (10), no diretório estadual, em Cuiabá. O evento foi realizado a "portas abertas". Começou às 17h30 e terminou às 21h.
Com 69 votos e representantes de diretórios de 25 municípios, a nova comissão executiva é composta ainda por Ussiel Tavares (secretário-geral), Rogério Salles (primeiro-vice), Paolla Reis (segundo-vice), Nilson Leitão (terceiro-vice) e Renivaldo Nascimento (tesoureiro).
A eleição, passo estratégico para as eleições de 2018, não contou com a presença da principal “estrela”, o governador Pedro Taques, que está em viagem oficial à China.
Paola, do núcleo duro do grupo político de Taques também não foi. Assim como o deputado licenciado e secretário de Cidades Wilson Santos. As ausências não foram explicadas oficialmente, mas teriam relação com brigas internas.
Paulo assume o comando no lugar do deputado federal Nilson Leitão, que ocupou a função por seis anos. Com perfil apaziguador, caberá ao novo presidente conduzir os trabalhos para a reeleição de Taques ao Palácio Paiaguás – caso ele fique no partido – e viabilizar o nome de Leitão a uma das duas cadeiras disponíveis de senador. O caminho é longo e requer muita articulação.
Despedida
Durante seu discurso de despedida, Leitão ressalta que a nova direção é equilibrada, contemplando todas as alas do PSDB, até mesmo a bancada de vereadores da Capital (com Renivaldo Nascimento na tesouraria).
Além de destacar as reestruturação conquistada nos seis anos em que esteve à frente da sigla, Leitão afirma que nenhum filiado está a cima da legenda. “O partido somos todos nós. Este é um momento de reunificação, mas também de se ressignificar na política e no partido”, declara. Apesar de não citar nomes, o recado é ao grupo de Taques com quem ele vem tendo embates.
“Este é um momento de reunificação, mas também de se ressignificar na política e no partido”
A legenda, que já foi a maior sigla em Mato Grosso na época em que tinha o falecido Dante de Oliveira como governador, viveu anos à míngua, sem grande representação estadual. Só voltou a brilhar quando Leitão, deputado federal e ex-prefeito de Sinop assumiu o comando regional.
Há seis anos no posto, foi um dos principais responsáveis por trazer o governador (ex-PDT) ao partido e fortalecer a legenda.
O PSDB conta hoje com 39 prefeitos. Antes, sem estar no poder estadual, só tinha três gestores municipais. O número de vereadores também subiu de 83 para 190 nos últimos seis anos; de deputado estadual de um para quatro (Wilson, Guilherme Maluf, Baiano Filho e Saturnino Masson); e de filiados de 11.248 para 38.296. Além disso, a legenda tem um federal, o próprio Leitão.
Racha
A eleição ocorre em um momento de crise interna, por conta do desentendimento de suas principais lideranças. O chefe do Executivo estadual está em embate direto com Leitão, que busca se viabilizar a uma candidatura ao Senado Federal.
A convenção foi convocada na última semana, quando a cúpula tucana se reuniu na sede do diretório em Cuiabá e definiu o nome de Paulo como presidente (levando em consideração o fato dele não ser candidato no próximo ano). Além disso, o partido definiu que irá brigar para viabilizar Leitão ao Senado.
Taques, que não participou da reunião, não gostou dos encaminhamentos. Entende que Leitão passa a ser um adversário interno, visto que é difícil viabilizar duas candidaturas à majoritária dentro do mesmo partido. Já o deputado federal entende que a legenda tem essa força e, por isso, os ânimos estão acirrados. Diante de tais fatos, há fortes rumores de que Taques acabe buscando rumos diferentes e deixe o partido.
Galeria: Eleição do PSDB
Quanto à “rusga” entre Taques e Leitão, Paulo afirma que a questão será resolvida com diálogo, mas nega ter tido conhecimento do desentendimento entre os dois. “Temos que aproximar os militantes, deputados, prefeitos, vereadores e governador. E trazer Taques para dentro do partido”, diz, acrescentando que não haverá problemas para apaziguar os ânimos e buscar por em prática os planos de reeleição de Taques e a candidatura de Leitão ao Senado.
“Temos que aproximar militantes, deputados, prefeitos, vereadores e trazer Taques para dentro do partido”
Quanto à eventual saída da Taques da legenda, Paulo diz que irá aguardar a volta do governador para sentarem à mesa e discutirem. “Não tenho conhecimento de nenhuma reclamação do governador. Precisamos ouvi-lo primeiro, para depois discutirmos com a Executiva”, declara.
A eleição Estadual cumpre a uma exigência da Executiva nacional que deu até sábado (11) para a escolha dos novos presidentes regionais, uma vez que o novo presidente nacional será escolhido em dezembro.
Além das lideranças do PSDB, como a prefeita de Chapada dos Guimarães Thelma de Oliveira, Rui Prado, os deputados Saturnino, Jajah Neves (suplente que legisla) e os vereadores Renivaldo Nascimento, Ricardo Saad, Adevair Cabral, a reunião também teve a participação de personalidades de outras siglas.
O deputado federal Fábio Garcia, o prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro (PMDB), o secretário-chefe da Casa Civil Max Russi (PSB) e o vice-governador Carlos Fávaro (PSD), que comanda o Estado durante viagem de Taques ao exterior, foram até a sede do PSDB ressaltar a força política da sigla.