MDB discute troca de comando após encolher e perder vaga na Câmara
Partido avalia reestruturação após derrota de Janaina Riva ao Senado, perda de espaço na Assembleia e ausência de representante mato-grossense na Câmara dos Deputados
Após perder espaço nas urnas em relação a 2022 e ver Janaina Riva, principal nome da sigla em Mato Grosso, ser derrotada na disputa ao Senado, o MDB deve iniciar um processo de reestruturação. Sob o comando da deputada estadual, que ficará sem mandato a partir do próximo ano, o partido discute até mesmo a possibilidade de trocar a presidência estadual.
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Da esquerda para direita: Dr. João, Léo Bortolin, Janaina Riva e Thiago Silva
Único parlamentar da sigla a falar publicamente sobre os rumos do partido até o momento, o deputado estadual Dr. João (MDB) defendeu a retomada da militância como caminho para recuperar a força política da legenda, a segunda maior em número de filiados em Mato Grosso. Ao citar a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último domingo (25), ele atribuiu parte do resultado à mobilização dos apoiadores e disse que o MDB precisa resgatar essa característica.
“Eu acredito que vai voltar aquele MDB antigo, de militância. Vocês acabaram de ver agora uma militância, na minha opinião, a militância ganhou a eleição. O MDB sempre teve uma militância muito forte e fortalecer essa militância é a minha ideia”, afirmou o parlamentar em conversa com jornalistas nesta quarta-feira (28).
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Dr. João admite que a substituição de Janaina no comando estadual é uma possibilidade, mas pondera que a discussão precisa passar pela própria deputada. Segundo ele, a prioridade é evitar divisões internas e preservar a unidade da sigla.
“Nós vamos sentar com a deputada Janaina com muito respeito, ver o que ela pretende fazer, para não ter confusão, não ter racha, não ter briga e o MDB continuar sendo um partido forte”, declarou.
Reservadamente, lideranças emedebistas concordam com a necessidade de discutir os rumos da legenda. A avaliação é de que o partido precisa se reorganizar diante do avanço do bolsonarismo em Mato Grosso e começar a preparar nomes competitivos para as eleições municipais de 2028.
Parte desses interlocutores também avalia que a estratégia eleitoral de Janaina, centrada na tentativa de conquistar uma vaga no Senado, acabou prejudicando mais do que ajudando os demais candidatos da sigla. A crítica recai especialmente sobre a aliança formalizada com o PL, partido de seu sogro, o senador Wellington Fagundes, derrotado ainda no primeiro turno na disputa pelo Governo de Mato Grosso.
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Perda de espaço
Em 2022, o MDB elegeu quatro deputados estaduais e dois federais. Janaina Riva foi a candidata mais votada para a Assembleia Legislativa naquele pleito, consolidando-se como principal liderança eleitoral da sigla no estado.
O cenário mudou nas eleições deste ano. Além de perder Emanuelzinho para o PSD e Juarez Costa para o Republicanos, o partido não conseguiu montar uma chapa para a Câmara dos Deputados e ficará sem representante mato-grossense na próxima legislatura.
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Na Assembleia Legislativa, a bancada emedebista cairá de quatro para três parlamentares, retornando ao tamanho que tinha em 2018. Permanecerão Dr. João e o deputado reeleito Thiago Silva, ao lado de Léo Bortolin, que estreia no Legislativo estadual.
Eduardo Botelho, que chegou a presidir a Assembleia Legislativa e ingressou no MDB para disputar a reeleição, não conseguiu renovar o mandato.