Ação por posse de terra de R$ 100 mi motivou execução de Zampieri, diz PJC
O empresário e fazendeiro Aníbal Manoel Laurindo, de 74 anos, foi indiciado como mandante do crime
Uma disputa judicial sobre a posse de uma terra avaliada em R$ 100 milhões teria motivado a execução o advogado Roberto Zampieri, que aconteceu em dezembro de 2023, no Bosque da Saúde, em Cuiabá. A informação foi divulgada pelo delegado Nilson Farias, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Capital. Nesta terça-feira (09), o empresário e fazendeiro de Rondonópolis, Aníbal Manoel Laurindo, de 74 anos, foi indiciado como mandante do crime.
A propriedade rural em questão fica localizada em Paranatinga. Conforme o delegado, a fazenda na disputa era do irmão de Aníbal. Zampieri atuava no caso como advogado da pessoa que reivindicava a posse e acabou ganhando a causa.
Durante a execução da sentença, a fazenda de Aníbal também entrou no processo. Para não perder sua terra, o fazendeiro teria mandado matar o advogado.
Rodinei Crescêncio/Rdnews
No inquérito policial, segundo Nilson Farias, ficou comprovada a ligação entre Aníbal e o suposto financiador, coronel Caçadini, e o vínculo deste com os executores.
Além disso, o mandante acreditava que existia uma proximidade entre o advogado Zampieri e um desembargador, o que poderia impactar em uma segunda perda judicial para a outra parte. Segundo o delegado, as provas encontradas nos celulares e imagens de câmeras de segurança foram essenciais para identificar a motivação do crime.
"Nesse processo, as datas são muito coincidentes. No celular do coronel Caçadini encontramos imagens dessa disputa, dessa ação civil, o que contradiz a fala do coronel de que não conhecia ninguém de Cuiabá na época. Além disso, assim que Zampieri entrou na ação cível com pedido de produção de provas, no mesmo dia foi tirada uma foto do escritório do advogado, além das ligações nas mesmas datas", declarou.
Reprodução
O advogado Roberto Zampieri foi assassinado ao sair do seu escritório, no Bosque da Saúde, em Cuiabá
Outros envolvidos
A Polícia Civil já indiciou por homicídio qualificado três suspeitos de participação no crime: Etevaldo Luiz Caçadini, Antônio Gomes e Hedilerson Barbosa.
Para a Polícia, não há dúvidas da participação do trio no crime. Caçadini seria o financiador, Antônio Gomes da Silva é apontado como executor e Hedilerson Barbosa seria o suposto intermediário. Todos seguem presos.
O caso
No dia 5 de dezembro do ano passado, o advogado Roberto Zampieri deixou o escritório em que trabalhava e, ao entrar no seu veículo, um Fiat Strada, foi surpreendido pelo assassino. Os agentes policiais informaram que foram disparados cerca de 10 tiros na direção do advogado.
Nas gravações, obtidas por meio de câmeras de segurança de empreendimentos da localidade, é possível ver que o assassino cometeu o crime com o rosto descoberto, usando uma caixa para abafar o som, e que ele fugiu a pé.