Cuiabá, 25/09/2026

Alcino questiona operação do Naco às vésperas da eleição: “Por que agora?”

Alcino Barcelos foi alvo de operação que apura supostas fraudes em licitações, lavagem de dinheiro e associação criminosa em contratos da Prefeitura entre 2017 e 2024

O ex-prefeito de Pontes e Lacerda e candidato a deputado estadual (a 448 km de Cuiabá), Alcino Barcelos (PL), reclamou de um possível prejuízo eleitoral após ser alvo de uma operação do Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), na manhã desta sexta-feira (25) a 9 dias das eleições. A investigação apura supostas fraudes em licitações, lavagem de dinheiro e associação criminosa em contratos da Prefeitura entre 2017 e 2024.

Em vídeo, publicado em seu perfil do Instagram, Alcino questiona o motivo da ação não ter sido deflagrada antes. “Hoje cedo a polícia foi na minha casa, faltando 10 dias pra eleição. E a gente em terceiro, quarto lugar nas pesquisas. Por que que não foi 90 dias antes? Quando dá tempo de se defender? É isso que me deixa triste com esse país nosso. Usando a Justiça pra fazer injustiça”, disse.

Alcino ainda afirmou que a operação foi na “calada do dia” e que não chegou a ser ouvido em nenhuma instância da investigação. Ele também citou o exemplo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está preso em regime domiciliar, para falar em injustiça: “Isso é política. É por isso que a gente, mais do que nunca, tem que mudar esse país nosso”.

Por fim, ele negou as supostas fraudes em licitação e disse que em sua residência não havia "dinheiro sujo".

“Lá dentro de casa tinha uma arma que meu velho pai me deu. Uma garrucha 28, sem munição. Toda 'limpadinha', bonitinha, que eu guardo de relíquia. Eu não tenho arma em casa. O dinheiro estava dentro de casa, estava no meu quarto, não estava escondido. (...) Eu tenho pena mesmo, sabe de quem? Da Concretubos. Uma empresa pequena que sempre participou de pregão. Se fosse pelo menos adesão de ata, fosse registro de preço, coisa parecida. Foi pregão, pregão. Todo mundo podia participar”, completa.

A operação

Conforme já publicado pelo #rdnews, Alcino foi alvo de uma operação do Naco, que apura supostas fraudes em licitações, lavagem de dinheiro e associação criminosa em contratos da Prefeitura de Pontes e Lacerda entre 2017 e 2024.

Segundo a investigação, há indícios de favorecimento da empresa Concretubos Pré-Moldados Ltda. em contratos celebrados com o município.  

Conforme o Naco, foram identificados sete contratos entre a empresa e a administração municipal. Desses, cinco foram firmados entre 2022 e 2023 e totalizaram cerca de R$ 4,7 milhões. Com a atualização monetária, o valor alcança R$ 5,78 milhões.

As investigações também apontaram possíveis vínculos familiares, empresariais e funcionais entre agentes públicos e particulares relacionados às contratações. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) também identificaram movimentações financeiras suspeitas. 

A investigação também identificou a compra da propriedade rural Estância Rancho Fundo I pelo ex-prefeito de Pontes e Lacerda, Alcino Pereira Barcelos. De acordo com a apuração, a negociação previa o pagamento por meio da entrega de 100 cabeças de gado da raça Nelore. Os investigadores não encontraram registros oficiais de movimentação pecuária compatíveis com a transação.

As medidas autorizadas pela Justiça incluem mandados de busca e apreensão, acesso a dados telemáticos, quebra dos sigilos bancário, fiscal e financeiro dos investigados, além da indisponibilidade de bens, direitos e valores.  A ação conta com apoio da Polícia Civil (PJC) e  da Controladoria-Geral do Estado (CGE).