Alvo da PF, Ulisses Rabaneda diz que atuou apenas como advogado em acordo de R$ 308 mi
A assessoria de Ulisses Rabaneda afirmou que a diligência da PF aconteceu no escritório de advocacia em que ele atuava antes de se licenciar da profissão para assumir o cargo de conselheiro do CNJ
O conselheiro Ulisses Rabaneda, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), foi um dos alvos da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (06). A ação apura supostas irregularidades envolvendo o acordo celebrado pelo governo e a empresa de telefonia Oi.
Em nota enviada à imprensa, a assessoria do conselheiro esclarece que a diligência da PF aconteceu no escritório de advocacia em que Rabaneda atuava antes de se licenciar da profissão para assumir o cargo de conselheiro do CNJ. “Importa esclarecer que sua relação com os fatos apurados decorre exclusivamente da sua atuação como advogado, em período anterior ao ingresso no CNJ”.
Rodinei Crescêncio/Rdnews
No detalhe, o conselheiro Ulisses Rabaneda
Na época do caso, Rabaneda tinha sido contratado para prestar serviços jurídicos nas tratativas que resultaram em acordo envolvendo crédito da Oi com o Governo do Estado, “com atuação limitada ao exercício regular da advocacia”, afirma.
“Os honorários recebidos pela atuação profissional decorrem de regular contrato escrito e devidamente declarados”, completa a nota.
Além de Rabaneda, como já informado pelo #rdnews, o ex-governador de Mato Grosso e candidato ao Senado Mauro Mendes (UB) também foi alvo da ação. Policiais federais medida cautelar, confiscando passaporte, na residência do ex-governador, localizada no condomínio Alphaville 1.
Também foram alvos da PF: o deputado federal e ex-secretário-chefe da Casa Civil Fábio Garcia e o desembargador Ricardo Almeida. A informação é do jornalista Fábio Serapião, da Folha de São Paulo. Fabio Garcia foi escolhido para concorrer como candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Otaviano Pivetta (Republicanos).
À época advogado, Ricardo Almeida foi um dos responsáveis pelo acordo de R$ 308 milhões celebrado entre o Governo de Mato Grosso e a operadora Oi.
Rodinei Crescêncio/Rdnews
Agentes da PF saindo do Centro Empresarial Maruanã, um dos alvos da operação
A Polícia Federal também esteve na sede da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), que diz confiar na PF e que o caso será esclarecido. Conforme apurou o #rdnews, os agentes teriam recolhido documentos em uma sala utilizada por um familiar de Fábio Garcia. A reportagem tentou contato com a assessoria do deputado, mas ainda não obteve posicionamento.
Ao todo, foram expedidas 25 ordens de busca e apreensão, autorizadas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino.
Segundo a Folha de S.Paulo, os investigados também foram alvo de outras medidas cautelares, como a proibição de comunicação entre si, a apreensão de passaportes e a quebra dos sigilos fiscal e bancário, todas autorizadas pelo ministro. Os mandados são cumpridos em Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará.
__________
*O #rdnews errou. Inicialmente, a informação era de que havia sido cumprida ordem de busca e apreensão na residência de Mauro, mas, em verdade, agentes estiveram no local para confiscar o passaporte do ex-governador. A matéria foi retificada às 14h49 do dia 06/08/2026.