Atlética da UFMT bane autores de mensagens racistas e lamenta caso
Além disso, os alunos também foram suspensos de todas as atividades associadas à atlética; caso é investigado pela Polícia Civil.
Luiz Leite
A Atlética Acadêmica Monopólio, do curso de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá, suspendeu os alunos suspeitos de serem autores de mensagens racistas e misóginas de todas as atividades associadas à atlética. Além disso, os estudantes também foram banidos, em definitivo, dos grupos de comunicação gerenciados pela entidade. A decisão foi publicada em nota nas redes sociais. O caso é investigado pela Polícia Civil.
Conforme já publicado pelo #rdnews, os episódios começaram durante uma discussão política no grupo “Informes - Economia”, administrado pelo Centro Acadêmico do curso. Segundo o registro, um dos participantes enviou uma figurinha em que o presidente Lula da Silva (PT) aparece com a pele negra e sendo associado à imagem de um bandido, conteúdo descrito no documento como de cunho racista.
Na sequência, outro estudante teria se dirigido a um colega com a expressão “eae carvão”. Os dois participantes foram retirados do grupo, que posteriormente foi restringido pelos administradores para impedir novas mensagens.
Na nota, a atlética manifestou repúdio ao conteúdo das mensagens, afirmou realizar uma apuração interna rigorosa e responsável sobre o caso e que tomou medidas imediatas contra os alunos autores das mensagens:
"Suspender os autores das mensagens de todas as atividades associadas à Atlética Monopólio; Banir em definitivo os envolvidos dos grupos de comunicação gerenciados pela entidade; implementar, a partir de hoje, regras de moderação e compliance estrita em todos os canais, para garantir a segurança dentro de nossos meios digitais; criar mecanismos para que todas as nossas atividades sejam realizadas de forma responsável e com espaço seguro para todos".
Por fim, a Atlética Monopólio se colocou à total disposição da Direção do Curso, da Reitoria da UFMT e das autoridades competentes para auxiliar na devida apuração criminal e institucional. "Nos solidarizamos integralmente com as vítimas e aqueles que foram atingidos pelas palavras proferidas. O esporte e a integração universitária não têm espaço para o racismo, misoginia ou qualquer forma de discriminação”, completa a nota.
O caso
Conforme o BO, os episódios começaram durante uma discussão política no grupo “Informes - Economia”, administrado pelo Centro Acadêmico do curso. Segundo o registro, um dos participantes enviou uma figurinha em que o presidente aparece com a pele negra e sendo associado à imagem de um bandido, conteúdo descrito no documento como de cunho racista.
Na sequência, outro estudante teria se dirigido a um colega com a expressão “eae carvão”. Os dois participantes foram retirados do grupo, que posteriormente foi restringido pelos administradores para impedir novas mensagens. Com o bloqueio das conversas, parte da discussão teria migrado para outro grupo, chamado “Geral” e administrado pela Atlética Monopólio. Conforme o boletim, foi nesse espaço que os ataques se intensificaram.
Entre as mensagens registradas está a frase “Por causa de vc os preto lá tá achando q tem direito agora”, enviada em referência à restrição imposta no primeiro grupo. O boletim também relata a publicação de uma figurinha na qual uma mulher negra aparece realizando um exame de ultrassom e a imagem atribuída ao feto é substituída pela de um macaco.
Áudios encaminhados ao grupo também fazem parte do material levado à polícia. Em um deles, um participante questiona: “Quer dizer agora que se eu chamar de neguinho é racismo?”. Em outro trecho, afirma: “Por isso tem que ser contra as muié mesmo [...] eu sou a favor da minha mulher e da minha filha, o resto das mulher tem que se f* mesmo”.
O boletim ainda registra uma mensagem em que um dos participantes afirma estar “doido” para enviar conteúdo ao grupo anteriormente bloqueado e menciona, em tom de ameaça, sobre uma “peixeira” (faca).
O que diz a UFMT
Procurada pela reportagem, a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) informou, por meio de nota, que a denúncia atribuída a estudantes do curso de Economia foi encaminhada, nesta segunda-feira (5), pela Ouvidoria à unidade responsável e que já adota as providências administrativas cabíveis.
Ainda segundo a instituição, o procedimento tramita sob sigilo e, por isso, não serão divulgados nomes, número de envolvidos ou detalhes das manifestações. A universidade acrescentou que a apuração seguirá as normas internas, com garantia do contraditório e da ampla defesa, e reafirmou o compromisso com a diversidade, a dignidade e a manutenção de um ambiente universitário livre de discriminação e violência.