Cuiabá, 31/10/2026

Câmeras de banco flagram saques milionários dentro do TCE; Sérgio Ricardo participa - confira as fotos

Segundo a PF, Roseli Loss e Adriangelo Antunes operacionalizavam retiradas em dinheiro vivo na agência do Sicoob instalada no Tribunal; imagens também mostram o presidente da Corte participando de operações no caixa

Reprodução

Registros da PF mostram saques na boca do caixa

Câmeras de segurança flagraram a movimentação de saques milionários em dinheiro vivo realizados dentro da agência do Sicoob instalada no Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT). Segundo relatório da Polícia Federal, a secretária executiva Roseli Loss e o secretário executivo de comissão permanente do Tribunal, Adriangelo Barros Antunes, operacionalizavam as retiradas para o presidente da Corte, Sérgio Ricardo. As imagens analisadas pelos investigadores também mostram que o próprio conselheiro comparecia à agência e participava pessoalmente de operações no caixa.

Em dez datas nas quais os investigadores identificaram correspondência entre registros bancários e imagens da agência, foram sacados R$ 3,52 milhões de contas de Sérgio Ricardo. Segundo a PF, sacolas chegavam vazias e saíam cheias de dinheiro.

O relatório da PF foi encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e deu origem à Operação Tomada de Contas, que culminou na prisão preventiva do presidente do TCE e dos servidores Roseli e Adriangelo, autorizada pelo ministro Og Fernandes. Outras 18 pessoas também são alvos da operação, que investiga a transferência irregular de dinheiro público do TCE para conselheiros e servidores. No total, 21 pessoas são investigadas.

Sérgio Ricardo está preso no batalhão do Bope e o restante foram levados para presídios comuns.

Reprodução

Registros da PF mostram saques na boca do caixa

 O flagrante

O documento reúne imagens de câmeras de segurança, dados bancários e informações obtidas durante diligências realizadas na sede do Tribunal.

Conforme os investigadores, a dinâmica consistia na utilização de cartão magnético e digitação de senha por Roseli, seguidas, em diversas ocasiões, do recolhimento do dinheiro por Adriangelo. A PF descreve essa última função como cash courier, expressão utilizada para designar o responsável pelo transporte físico de valores.

A investigação também identificou que Roseli não mantinha conta própria no Sicoob Integração, mas figurava como procuradora de contas bancárias de Sérgio Ricardo. Para a PF, esse vínculo ajuda a explicar sua participação nas operações.

Mala vazia na entrada e cheia na saída

Um dos episódios destacados no relatório ocorreu em 14 de outubro de 2025, quando policiais federais estiveram na agência do Sicoob, localizada nas dependências do TCE-MT, para observar a movimentação no local.

Segundo o relato, os agentes viram um homem com características físicas semelhantes às de Adriangelo entrar na cooperativa carregando uma mala de mão preta, aparentemente vazia. Na sequência, Roseli chegou ao estabelecimento, identificada com crachá funcional, e se dirigiu à área dos caixas.

Depois que Roseli deixou a agência, o homem também foi até o setor de atendimento. Ao sair, os policiais observaram que a bagagem aparentava estar cheia, diferentemente do momento da entrada.

Ainda conforme o documento, ele utilizou um cartão de servidor para atravessar as catracas de acesso às dependências internas do Tribunal. A tentativa de acompanhamento foi interrompida após um policial ser abordado pela segurança do órgão.

A diligência levou a PF a solicitar as gravações das câmeras do Sicoob. Foram disponibilizados 60 arquivos de vídeo, referentes ao período de 1º de setembro a 19 de novembro de 2025.

Reprodução

Registros da PF mostram saques na boca do caixa

Saques de até R$ 500 mil

O cruzamento das imagens com os extratos bancários permitiu identificar operações realizadas em dez datas, entre setembro e outubro de 2025, totalizando R$ 3,5 milhões.

Entre os registros estão um saque de R$ 400 mil em 1º de setembro, outro de R$ 450 mil no dia 5 e retiradas de R$ 490 mil em diferentes ocasiões. Em 30 de setembro, uma das contas de Sérgio Ricardo registrou um saque de R$ 500 mil.

A PF também identificou a presença do próprio conselheiro em atendimentos na agência. No dia 30 de setembro, ele acompanhou pessoalmente uma operação de saque. Já em 2 de outubro, apareceu ao lado de Roseli durante atendimento no caixa.

Segundo os investigadores, as imagens desse segundo episódio mostram Sérgio Ricardo digitando uma senha, assinando um comprovante e, aparentemente, passando por reconhecimento facial em um aparelho celular que estava com a servidora.

O relatório aponta que Roseli passou a figurar formalmente como procuradora das contas do conselheiro no Sicoob em 8 de outubro de 2025.

Reprodução

Registros da PF mostram saques na boca do caixa

Movimentação milionária

As operações integram um conjunto mais amplo de movimentações financeiras investigadas pela PF. Desde janeiro de 2025, foram identificados aproximadamente 150 saques em espécie, que somaram R$ 15,6 milhões em contas de Sérgio Ricardo.

A Polícia Federal investiga se a retirada recorrente de grandes quantias em dinheiro vivo estava relacionada a um esquema de desvio de recursos públicos e ocultação da destinação dos valores.

Os registros de movimentação financeira e as imagens são elementos da investigação e, isoladamente, não comprovam a prática dos crimes investigados.

Outro lado

O advogado Fernando Márcio Vareiro, que integra a defesa de Sérgio Ricardo, informou ao #rdnews que os advogados ainda buscam acesso ao conteúdo completo da investigação da Operação Tomada de Contas e, por isso, não têm posicionamento oficial sobre o caso. Segundo ele, o advogado Saulo Gahyva ficará à frente da defesa do presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT).

Responsável pela defesa de Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, o advogado Vinicius Segatto também afirmou que precisa conhecer o teor da investigação antes de se manifestar.

As defesas dos demais alvos também foram procuradas, mas não responderam até o fechamento da matéria. O espaço segue aberto para manifestações.

Em nota, o TCE afirmou que vai adotar as providências necessárias ao cumprimento das determinações do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

"A instituição assegura aos servidores, aos órgãos públicos jurisdicionados e à sociedade mato-grossense o compromisso com a normalidade administrativa, a continuidade dos trabalhos e a regularidade das atividades institucionais", escreveu a instituição.