Chefe do CV em MT suspeito de morte de 4 maranhenses é preso em favela do rio
Gabriel Ítalo é um dos 8 indiciados pelo crime ocorrido em 2021; ele já responde por tráfico e homicídio
Montagem
Um dos chefe da facção criminosa Comando Vermelho que tem tentáculos em Cuiabá foi preso nessa quarta-feira (05), durante operação da polícia em uma favela no Rio de Janeiro. Gabriel Ítalo da Silva Costa, conhecido como Torto, é foragido da Justiça e estava com mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça de Mato Grosso por autoria no sequestro, homicídio e ocultação de cadáver de quatro rapazes do Maranhão que desapareceram em Cuiabá, em maio de 2021. Ele estava escondido no Complexo da Maré. No Rio, ele foi preso por envolvimento em tráfico de drogas na favela.
Ele é um dos oito indiciados pelas mortes dos maranhenses e pela integração de organização criminosa. Dos oito, ele era o único que ainda não havia sido localizado pela polícia e que não estava preso.
Gabriel foi preso em uma ação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) e do Batalhão de Operações Especiais (Bope). Segundo a polícia do Rio de Janeiro, o suspeito é responsável por fornecer drogas e armas à facção que controla o tráfico de drogas nas regiões de Nova Holanda e no Parque União, no Rio de Janeiro e possui pelo menos quatro mandados de prisão por tráfico de drogas e homicídio. Segundo os agentes, o criminoso estava se passando por trabalhador em uma fábrica.
Conforme a PJC-MT, 'Torto' também é suspeito de controlar bocas de fumo em Cuiabá, após expulsar e matar traficantes antigos que eram responsáveis por essas bocas, mas que não pertenciam a nenhuma facção.
Na operação no Rio de Janeiro, ele foi autuado em flagrante por associação para fins de tráfico, porte ilegal de arma de uso restrito e falsidade ideológica.
Tortura e morte dos maranhenses
As mortes de Tiago Araújo, 32 anos, Paulo Weverton Abreu da Costa, 23 anos, Geraldo Rodrigues da Silva, 20 anos e Clemilton Barros Paixão, 20 anos, aconteceram em 2021 e foram ordenadas por uma facção, que determinou um ‘tribunal do crime’ porque julgou que as vítimas pertenciam a um grupo rival e, desta forma, resolveu assassinar os rapazes - dois irmãos, um cunhado e um amigo.
A investigação apurou que as vítimas foram cruelmente mortas - sofreram decapitação, amputação dos dedos e uma delas foi atingida por um disparo no peito. Outras duas foram mortas com disparos na nuca.
Além de condenar as quatro vítimas a um tribunal da facção, os integrantes da organização criminosa também coagiram familiares das vítimas, que foram obrigados a ir embora de Cuiabá porque receberam ameaças de morte.
Ligação entre RJ e MT
A favela onde Gabriel foi preso teria outras ligações com Mato Grosso. No último dia 28, a Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Veículos Automotores (Derfva) deflagrou a Operação Terminus e cumpriu mandados contra membros do Comando Vermelho, que seriam liderados por um integrante da favela do Complexo da Maré. As investigações apuram roubos de caminhonetes em Cuiabá nos anos de 2020 e 2021.
A Polícia Civil descobriu que a organização criminosa contava com uma estrutura complexa, incluindo imóveis locados previamente, para ocultação dos carris roubados/furtados e adulteração dos sinais identificadores, antes de realizar seu transporte para a Bolívia, havendo indícios de ramificação do grupo no país vizinho.