Comerciante do Shopping Popular foi morto por desobedecer o CV, diz delegado
Joseonaldo Araújo estava vendendo cigarros contrabandeados por conta própria, ofendendo as diretrizes do Comando Vermelho
A investigação da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Cuiabá (DHPP) aponta que o comerciante Joseonaldo Ferreira de Araújo, morto em dezembro do ano passado no Shopping Popular, em Cuiabá, foi assassinado por desobedecer o Comando Vermelho e vender cigarros contrabandeados por conta própria, sem o aval da facção. A informação foi confirmada pelo delegado Bruno Abreu Magalhães, que conduz as investigações.
Segundo o delegado, o empresário teria ignorado as ameaças do CV, que além de comandar o tráfico de drogas em Mato Grosso, também trabalha com a venda de cigarros do Paraguai. A facção impõe algumas regras na venda de cigarro, que teria que ser comprado deles e vendido a um preço que gerasse um lucro que eles entenderiam como correto.
"A vítima não estava obedecendo as diretrizes do Comando Vermelho. Ele estava vendendo cigarro por conta própria, foi ameaçado, alertado pessoalmente, foi avisado por mensagem de telefone para que não continuasse a venda e optou por vender de forma sigilosa, o que culminou na sua morte", explicou o delegado.
Reprodução
Segundo o delegado, a princípio não há indício que aponte envolvimento da vítima com a facção, apenas que Joseonaldo teria desobedecido a ordem do CV. Oito suspeitos estão envolvidos no crime. Um deles já estava, inclusive, preso na Penitenciária Central do Estado (PCE) por tráfico de drogas.
Até o momento, quatro suspeitos já foram presos, sendo um em flagrante na data do crime e três nessa quarta (02), na Operação Unity. Um dos executores do homicídio, Wenderson Santos Souza, de 24 anos, entrou em confronto com policiais militares e morreu nas imediações do centro comercial no dia do crime.
Conforme o delegado, o mandante do crime ainda não foi identificado, mas a polícia já tem conhecimento de que a ordem partiu da alta cúpula da facção criminosa que atua dentro do presídio.
"Com certeza chegaremos em todos. Se eles imaginavam esse tipo de crime iria permanecer nas margens da impunidade, podem ter certeza que chegaremos também na alta cúpula da facção e que todos serão punidos", garante o delegado.