Confrontado por irmão, menor garante que bala não estava na câmara de arma
Novos trechos de diálogo entre o namorado, da menor que matou a amiga Isabele Guimarães Ramos acidentalmente em 12 de julho, e o irmão dele reforçam a tese de que a arma não estava “pronta” para disparar. Em conversa, logo depois do acidente, o irmão pergunta: Bora, Bora. O q (sic) aconteceu cara".
O adolescente responde que não sabe. O irmão então o confronta: "se deixou ela (arma) com munição? Fala a vdd (verdade)". O menor responde: "tava no carregador. Mas não na câmara". Em depoimento à polícia, ele detalhou como levou a arma até a residência e também afirmou que havia checado e que não havia bala na câmara, no momento em que deixou a pistola de calibre .380 lá.
Em resposta, o irmão dispara: "Pqp. Acertou alguém? O que que aqueles guris falaram?". O jovem então revela: "a guria morreu". Este trecho do diálogo antecede uma sequência de conversas trocadas entre os dois e que foram apagadas, posteriormente.
Para os policiais, nas conversas o menor apresentou detalhes do que ocorreu ao irmão, mas decidiu apagar. “Cabe ressaltar, que não foi possível a recuperação/restauração das mensagens em questão”, diz trecho do documento que o #rdnews teve acesso.
O namorado da menor que atirou, segundo as investigações e depoimentos, deixou a mansão um pouco antes da morte de Isabele. Ele alega que deixou a arma na casa do sogro porque tinha medo de blitz.
Reprodução do laudo
Trecho de laudo mostram testes feitos na arma para verificar a dinâmica do disparo contra Isabele. Documento aponta que tiro não foi acidental
Caso
Perícias que ficaram prontas nesta semana revelam que Isabele não morreu vítima de disparo acidental, que aconteceu a curta distância, entre 20 a 30 centímetros da vítima. Apontam também que a amiga e autora do disparo, também de 14 anos, estava frontalmente com Isabele e sustentou a arma a uma altura 1,44 metro do piso "com alinhamento horizontal".
O documento aponta que o disparo feito pela amiga foi realizado com "acionamento regular do gatilho, com o atirador (menor) na porção esquerda do banheiro”.
A defesa da família da jovem, sob Ulisses Rabaneda, afirma que o laudo não descarta uma ação “involuntária”, durante o momento em que a jovem se desequilibrou.
À polícia, a menina disse o disparo foi acidental e ocorreu após a arma cair da sua mão no momento em iria guardá-la. Segundo ela, a maleta onde estava a arma escapou de suas mãos e disparou, atingindo Isabele no banheiro de um dos quartos, na parte superior da mansão.