Defesa de padre nega confissão de estupros e diz que agirá contra delegado
Advogados afirmaram que Nelson Koch nunca disse que relações foram consensuais com crianças e adolescentes
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Padre Nelson Koch, de 54 anos, foi preso após denúncia de menores sobre abuso sexual
A defesa do padre Nelson Koch, de 54 anos, que foi preso nesta quinta (17) suspeito de abusar sexualmente de crianças e adolescentes em Sinop (a 479 km de Cuiabá), negou que ele tenha confessado o crime à polícia ou que tenha dito que as relações com as vítimas foram consensuais. Os advogados ainda disseram que o delegado Sérgio Ribeiro, titular da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, Criança, e Idoso (Dedmcai), não poderia ter exposto o padre ou compartilhado informações, já que o processo tramita em segredo de Justiça, e por isso, medidas serão tomadas contra ele.
Um dos advogados da equipe que defende o padre, Márcio de Deus, reforçou que Nelson Koch deixou de ser padre no último dia 14, logo após tomar conhecimento da denúncia, feita inicialmente a membros da própria igreja, e preferiu sair para cuidar de seu irmão que luta contra o câncer, para que não o acusassem de interferir no processo.
“A Paróquia soube dessa situação, porque um adolescente falou isso. Aí a Paróquia chamou ele, que falou que iria se afastar para que não trouxesse prejuízo à Paróquia, para que não trouxesse ao bispo, à igreja e aos fiéis da igreja descrédito. Então preferiu se afastar para que pudesse responder com tranquilidade, sem o manto da Paróquia, como qualquer cidadão deve responder”, disse Márcio de Deus.
A Polícia Civil, ao cumprir o mandado de prisão preventiva e busca e apreensão, levou o celular do padre, que estava formatado. A defesa explicou que cerca de dez dias antes da denúncia o celular de Nelson teria caído em uma caixa d’água e foi formatado no conserto. Os advogados garantiram que o padre não tinha nenhum conteúdo comprometedor no aparelho.
A defesa afirmou que o delegado foi leviano ao passar informações sobre o caso à imprensa, já que, por envolver menores de idade, tramita em segredo de Justiça, além de ter exposto a imagem do padre, infringindo também a Lei de Abuso de Autoridade.
“Eu conheço o delegado que o conduziu, mas não concordo, meu cliente disse que não falou, e acho que nesta situação ele [delegado] está sendo leviano. Primeiro porque ele não deveria passar à imprensa qualquer informação sobre este processo, que tramita em segredo de Justiça. Além do mais, não poderia ter feito filmagens de quando foi buscar o conduzido, pois todo o processo está em segredo de Justiça, porque inclui adolescentes e o ECA proíbe qualquer exposição destes adolescentes na mídia ou em qualquer meio de comunicação. Além disso, temos hoje a Lei do Abuso de Autoridade que diz que o delegado não pode fazer isso”.
O advogado Márcio de Deus ainda disse que existem mecanismos para defender o cidadão de atos de servidores públicos, como é o caso do delegado, e “o que tiver que fazer para proteger o acusado, com relação ao servidor público, nós iremos fazer”.
Supostos vídeos dos atos
A defesa também falou sobre os vídeos que teriam registrados os atos do padre com os adolescentes. Segundo a defesa, não há nada nos vídeos que aponte qualquer má conduta por parte do padre. Porém, afirmou que os vídeos foram editados e irá pedir uma perícia para conferir a legalidade deles como prova.
“Sobre o processo não vou falar, porém, sobre os vídeos, eu mesmo vi os vídeos, e a imprensa no futuro poderá ter acesso, não tem nada que macule a imagem do padre, eu vi todos os vídeos. Os vídeos foram, todos eles, editados. Enquanto a defesa não fizer perícia para saber se os vídeos são legais ou não, eu não posso falar mais nada a respeito, vamos pedir a perícia”.
Os advogados ainda afirmaram que o padre está sendo considerado culpado sem provas, ou sem ter sido julgado. Márcio de Deus disse que ele corre risco no presídio, já que presos repudiam este tipo de crime, e que um homem “um homem que tem uma vida pública de 25 anos, como ele, que nunca teve mácula contra ele” está sendo escarneado, “jogado aos porcos”.