Defesa diz que investigador tentou desarmar PM que estava alterado
A defesa do investigador disse que ele não sabia que Thiago Ruiz era policial e que atirou por temer morrer
Reprodução/Olhar Direto
A defesa do investigador da Polícia Civil, Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, de 39 anos, suspeito de atirar contra o cabo da Polícia Militar Thiago de Souza Ruiz, afirma que o investigador tentou desarmar o militar sem saber que ele era policial, porque Thiago estaria 'alterado'.
Segundo o advogado Ricardo Monteiro, o investigador chegou na conveniência com um amigo, advogado, e se sentou com ele para conversarem. E, em determinado momento, o militar sentou com eles. O investigador relatou à defesa que não conhecia o cabo da PM, mas não informou se o amigo da mesa o conhecia. Eles ficaram conversando durante um tempo e, por um motivo (ainda não esclarecido), o cabo Thiago levantou a camisa.
Ao ver a arma na cintura do PM, o investigador Mário decidiu desarmá-lo. Segundo o investigador, em relato à defesa, pela forma como Thiago estava se comportando, ele não imaginou que pudesse se tratar de um policial militar.
O investigador afirmou que em nenhum momento Thiago se identificou como PM. Nesta linha, segundo sua defesa, o suspeito teria pego a pistola do cabo e ficado com ela na cintura e a dele na mão esquerda. A ideia era, segundo Mário, cjhamar autoridades para as devidas providências.
Nesse momento, entretanto, Thiago avançou sobre o investigador no intuito de retomar a arma dele e os dois caíram no chão, havendo luta corporal. Na versão de Mário, em determinado momento, após receber uma gravata, ele percebeu que uma das armas não estava com ele.
Achando que o PM havia recuperado a arma e com medo de ser alvejado, segundo Ricardo Monteiro, Mário teria tomado a decisão de sacar a arma e fazer vários disparos. "Ele estava no chão", justifica Monteiro.
Rodinei Crescêncio
Nas imagens de uma câmera de segurança, é possível ver que não havia sido Thiago que pegou a arma e que o cabo estava desarmado, no entanto, durante a confusão, o investigador alega que não percebeu esse fato e que, por isso, atirou para se proteger.
O investigador vai passar por audiência de custódia na tarde desta sexta (28), quando a Justiça irá decidir se ele irá converter a prisão em flagrante em preventiva.
O caso
O crime aconteceu na madrugada desta quinta (27) em uma conveniência localizada na Avenida Estevão de Mendonça. A vítima chegou a ser encaminhada às pressas para o Hospital Jardim Cuiabá, mas não resistiu. Lotado na Delegacia Especializada de Roubo e Furtos (Derf) de Cuiabá, o investigador se apresentou horas depois na DHPP. Após ser interrogado, o policial foi autuado em flagrante por homicídio qualificado.
As investigações seguem em andamento pela DHPP e pela Corregedoria para apurar as circunstâncias dos fatos e a motivação do crime. Câmeras de segurança da conveniência do posto Conte Comigo, no Bairro Quilombo, em Cuiabá, capturaram o momento da briga e do homicídio.
Pelas imagens é possível ver ambos sentados na mesma mesa e, em seguida, o início da confusão que terminou em luta corporal e morte.