Delegado Bruno pede afastamento da PJC após invadir residência e se desculpa
Bruno França reconhece que se excedeu em abordagem, inclusive frente à criança; Corregedoria diz que afastamento será de 60 dias
O delegado Bruno França Ferreira pediu afastamento do cargo, nesta quinta (1°), após entrar no Condomínio Florais, em Cuiabá, na segunda-feira (28), para efetuar a prisão da proprietária sem mandado. A mulher estaria perseguindo o enteado dele, de 13 anos. O delegado também se desculpou pelo ocorrido e admitiu que exagerou na abordagem.
Segundo Bruno, ele solicitou à Corregedoria de Polícia Civil o afastamento não remunerado pelo prazo de 30 dias, renováveis por mais 30 se entenderem necessário ou até o final das apurações. Em nota, Bruno reconheceu que se excedeu durante a ação.
“Isso foi um erro pelo qual peço, a todos, as mais sinceras desculpas. Tal excesso, em que pese ser injustificável, é alicerçado por certa compreensividade, considerando que me encontrava em situação em que meu enteado estava sendo vitimado e, minutos antes, havia se dirigido a mim em estado de terror”
Reprodução
O delegado se desculpou também pelo susto causado à criança que se encontrava dentro da residência. “Não sabíamos da presença desta no interior do cômodo antes da entrada e, desde o ocorrido, a ideia do medo que causei a essa menina é, de longe, aquilo que mais tem me machucado. A Polícia Civil existe para proteger as pessoas e não para assustá-las, motivo pelo qual espero que um dia essa criança possa me perdoar”, disse.
De acordo com o delegado, ele fez a prisão em flagrante da mulher por ela estar “ameaçando, injuriando e descumprindo medida protetiva existente” em favor do enteado de Bruno, de 13 anos.
“Conforme registrado em procedimento sigiloso na Delegacia Especializada de Direitos da Criança e do Adolescente, há meses a conduzida vem perseguindo, humilhando e aterrorizando o menor de maneira injustificada, motivo este que levou o Poder Judiciário a deferir pedido de medida protetiva em favor do infante”, diz trecho da nota.
Segundo o delegado, consta em um procedimento investigativo que a mulher foi até a quadra poliesportiva em que o adolescente estava e iniciou os ataques, recorrentes e injustificáveis, contra o garoto que, após se refugiar na casa de um amigo, pediu socorro”.
“Após o menor ser resgatado e me relatar os fatos, entendi que se tratava de situação flagrancial, motivo pelo qual solicitei apoio a diversos colegas da Polícia Civil para efetuar a prisão. Após sortidos pedidos, fui atendido pelos colegas da Gerência de Operações Especiais”, disse.
De acordo com Bruno, o enteado estava em estado de pânico. Sobre a ajuda dos outros três policiais, Bruno afirma que a responsabilidade é exclusivamente dele e que os colegas da GOE, inclusive, tentaram acalmá-lo. “Não possuem qualquer responsabilidade, apenas parceria e lealdade para atender ao chamado de um policial em necessidade”.
O delegado afirma que em nenhum momento apontou a arma de fogo para nenhuma das pessoas na casa. “As próprias imagens do momento da abordagem demonstram que a arma esteve o tempo todo, que inclusive foi curto, apontada para baixo como reza o procedimento”.
“Por fim, em resposta àqueles que questionam se me arrependo do ocorrido, informo que estou profundamente arrependido por ter me extrapolado na verbalização realizada dentro do domicílio da conduzida. Quanto à decisão de enfrentar a agressora e realizar sua captura, tal conduta não possui qualquer ilicitude e não goza de arrependimento de minha parte”, finalizou.
Corregedoria
A Corregedoria estabeleceu o afastamento preventivo do delegado por 60 dias corridos, podendo o prazo ser prorrogado por igual período. O delegado será notificado do afastamento preventivo, assim como seu superior hierárquico e a Coordenadoria de Gestão de Pessoas da Polícia Civil.
Segundo nota, a decisão é uma medida tomada pela Corregedoria para o melhor andamento dos trabalhos. A corregedoria alega não ter recebido pedido formal de afastamento até o momento.