Cuiabá, 02/10/2026

Empresária foi assassinada pelo marido com “enforca gato”, diz delegada

Delegada detalhou o início das investigações - após tentativa de registro de um falso sequestro - e a motivação do crime

A empresária do ramo imobiliário Nilza Moura de Sousa Antunes, de 64 anos, foi assassinada pelo marido, Jackson Pinto da Silva, com uma abraçadeira plástica, conhecida popularmente como “enforca gato”, que estava presa no pescoço, nas mãos e nos pés da vítima. Jackson confessou o crime e foi preso nesta terça-feira (05).

De acordo com a delegada Eliane da Silva Moraes, da Delegacia Especializada de Estelionato e Outras Fraudes, a suspeita é que Nilza tenha morrido na madrugada de segunda-feira (04), visto que Jackson havia publicado uma foto “falando que estava, aparentemente tomando açaí com ela [Nilza]”, no domingo (03). 

João Aguiar/Montagem/Instagram

Delegada Eliane da Silva Moraes (à esquerda)

Questionada sobre a causa da morte, a delegada detalhou: “Foi com ‘enforca gato’. [O Jackson] passou no pescoço dela e apertou. [As abraçadeiras] estavam no pescoço, nos punhos e nos pés [de Nilza]”.

Falso sequestro

A delegada afirmou que as investigações começaram após Jackson tentar registrar um boletim de ocorrência por golpe. Segundo ela, o suspeito disse que Nilza havia desaparecido e que ele estava recebendo ligações “pedindo resgate” e que ele havia feito transferências via Pix com o intuito de salvar a vítima.

“A gente ouviu ele [Jackson], ouviu familiares e como ele estava disposto a provar que não tinha nada a ver com isso, uma equipe nossa o acompanhou até a casa dele e, a partir de uma camisa que ele havia vestido no domingo, que estava lavada, a gente questionou o motivo de estar ‘lavadinha’ e foi aí que ele começou a ficar nervoso e cair em contradição. Logo depois ele confessou [o crime] e confessou também o local onde estava o corpo”, detalhou Eliane.

Motivação

Ainda segundo a delegada, a motivação do crime seria uma série de atritos entre o casal, que havia se separado por um tempo e depois reatado o relacionamento. Ainda segundo Eliane, durante o período em que ficaram separados, Jackson teve um filho com outra mulher.

“Ele [Jackson] disse que perdeu a cabeça, que estava tendo atrito com ela [Nilza], porque ele convivia com ela há 11 anos, nesse período ele teve um filho [com outra mulher], e por conta disso estava havendo muito atrito entre eles, e esse foi um dos motivos das brigas”, disse.

Segundo Eliane, após a finalização do flagrante, o caso será encaminhado à Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) que dará continuidade às investigações.

Veja, abaixo, o trecho da fala da delegada:

O crime

Conforme publicado pelo , Nilza era  empresária do ramo imobiliário, em Cuiabá, e estava desaparecida desde ontem, sendo encontrada enterrada no quintal de um terreno de sua propriedade, na tarde de hoje, no bairro Parque Cuiabá. 

De acordo com as investigações, Jackson teria tentado registrar dois boletins de ocorrência falsos - um sobre desaparecimento da vítima e o segundo denunciando uma suposta extorsão -, sendo que, durante o registro deste último, a equipe policial suspeitou do caso e fez diversos questionamentos, momento em que Jackson confessou o crime.   

Jackson foi detido no local do crime e encaminhado à Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), na Capital, onde será interrogado. 

Ainda conforme apurado pelo reportagem, Jackson teria contratado uma empresa de fossa séptica para abrir um buraco - com profundidade entre 1,5 a 2 metros - no quintal deste terreno, no bairro Parque Cuiabá, onde enterrou o corpo de sua esposa. 

Em caso de violência, denuncie.

Denúncias de violência doméstica podem ser feitas na Central de Atendimento à Mulher, pelo telefone 180. O serviço funciona 24 horas por dia, é gratuito e garante o anonimato. Em situações de emergência, acione a Polícia Militar pelo telefone 190.

Caso esteja em situação de risco, a vítima pode solicitar medidas protetivas de urgência, previstas na Lei Maria da Penha. O pedido pode ser feito em uma delegacia ou de forma virtual, por meio do aplicativo SOS Mulher MT.