Empresário de uniformes para corridas é um dos alvos de operação na Câmara
Terceiro nome confirmado como investigado é de ex-servidor da Câmara Municipal de Cuiabá
O empresário João Nery Chiroli, proprietário do comércio Chiroli Uniformes, é um dos alvos da operação Gorjeta, deflagrada pela Polícia Civil na manhã desta terça-feira (27), com o foco na desarticulação de um suposto esquema criminoso que teve como vítima o município de Cuiabá, especialmente a Câmara de Vereadores e a Secretaria Municipal de Esportes. A informação foi confirmada pela redação do #rdnews, que acompanhou a ação policial do local.
Reprodução e RodineiCrescêncio
As investigações, que afastaram o vereador Chico 2000 (sem partido) do cargo, apontam que o grupo se associou com a finalidade de direcionar emendas parlamentares a um instituto e uma empresa, e o recurso era parcialmente “devolvido” ao vereador responsável pela destinação da emenda.
Para quem acompanha os eventos da Câmara Municipal de Cuiabá, o nome do empresário não é inédito: a Chiroli Uniformes é responsável pela confecção das camisetas utilizadas na Corrida do Legislativo, idealizada por Chico 2000.
Além do empresário, um terceiro nome confirmado como alvo das investigações é o do ex-servidor da Câmara, Alex Jony Silva. De acordo com informações disponibilizadas no Portal da Transparência do Legislativo cuiabano, Alex era um dos assessores parlamentares lotados no gabinete do então vereador Misael Galvão, mas está como funcionário exonerado desde 2020.
A operação
A ação é um desdobramento da Operação Perfídia, deflagrada no ano passado para apurar um suposto esquema de pagamento de propina envolvendo a empresa responsável pelas obras do Contorno Leste. À época, a investigação também resultou no afastamento do vereador Chico 2000 e do vereador Sargento Joelson (PSB), que retornaram aos cargos em setembro, por decisão judicial.
Segundo fontes ligadas à investigação, as informações que embasaram a Operação Gorjeta foram localizadas no telefone celular do vereador Chico 2000. Na manhã desta terça-feira (27), equipes da Polícia Civil estiveram na Câmara Municipal de Cuiabá para conferir registros de entrada e saída dos investigados.
Os elementos apurados indicam que o grupo teria se associado com a finalidade de direcionar emendas parlamentares a um instituto e a uma empresa. Parte dos recursos, conforme a investigação, era posteriormente “devolvida” ao vereador responsável pela destinação da emenda. Ao todo, mais de 40 policiais civis participam do cumprimento das ordens judiciais, sob coordenação da Diretoria de Atividades Especiais (DAE). Foram expedidos 12 mandados de busca e apreensão e 12 ordens de acesso a dados armazenados em dispositivos móveis.
Também foram determinadas ordens de suspensão do exercício da função pública contra dois servidores da Câmara Municipal e um vereador, para o qual houve a determinação de afastamento do mandato parlamentar. No âmbito da operação, a Justiça fixou ainda três medidas cautelares diversas da prisão contra seis investigados. Entre elas estão a proibição de manter contato entre si e com testemunhas; a vedação de acesso a todos os prédios e dependências da Câmara Municipal de Cuiabá e da Secretaria Municipal de Esportes; a proibição de deixar a comarca; e a determinação de entrega dos passaportes.