Cuiabá, 31/10/2026

Enfermeira que assistiu pré-natal se diz chocada com caso da menina enterrada

Ilustração

Enfermeira conta que ficou sabendo que o pai não assumiu a criança

Uma técnica em enfermagem, que preferiu não se identificar, disse que está chocada ao saber que a menina recém-nascida da etnia Trumai, foi enterrada viva pela bisavó nos fundo da casa onde morava, em Canarana (789 km de Cuiabá), nesta terça (5).

A profissional contou ao #rdnews que assistia a adolescente M.P.K.T., 15 anos, em acompanhamento pré-natal na Casa de Saúde do Índio e acabou surpreendida com a informação de que a criança tinha nascido. "Fui informada que ela havia dado a luz ao bebê e que ele nasceu morto, e como é um costume do povo Trumai, já tinha sido enterrada. Dai saber que estava vivo, eu não sabia", conta.

A enfermeira disse não ter ficado surpresa pelo fato da criança ter sido enterrada, algo que já faz parte da cultura da etnia Trumai. "Isso ocorre na aldeia pelas histórias que já ouvi contar. Porém nunca tinha acontecido algo assim na zona urbana", diz. "Eu jamais imaginava que o bebê estivesse vivo. Relatei o ocorrido ao chefe da Casai, que prometeu providências para o dia seguinte (hoje), mas alguém, um vizinho talvez, denunciou o caso a polícia e graças a isso, a criança foi salva", relata a profissional.

Segundo a enfermeira, a mãe da bebê teve todo o acompanhamento dos profissionais da Casai de Canarana e familiares, que, embora soubessem da gravidez, nunca se manifestaram em tomar uma atitude abortiva ou como a que aconteceu.

"Fiquei sabendo que o pai se recusou a assumir a paternidade e diante da tradição dos Trumai, de não aceitar em seu convívio mães solteiras, a avó pode ter tomado a decisão de enterrar", suspeita a enfermeira.

A recém-nascida foi resgatada já à noite por policiais civis e militares que descobriram uma vala nos fundos da casa onde a família mora, no setor Nova Canarana. Um investigador da Polícia Civil ouviu o choro da criança e começou a escavar no local conseguindo resgatá-la.