Cuiabá, 23/10/2026

Ex-secretária é um dos alvo de operação sobre ataques aos Poderes

Ordem judicial é cumprida na casa da investigada, que chegou a gravar vídeo no dia dos ataques

Policiais federais cumprem mandados de busca e apreensão contra a suplente de vereador e ex-secretária de Assistência Social de Tangará da Serra (240 km de Cuiabá), Ana Lúcia Adorno, a Ana do Contorno do Corpo. Ela é um dos alvos da 19ª fase da Operação Lesa Pátria, deflagrada nesta quarta-feira (25), em Mato Grosso, em São Paulo e no Rio de Janeiro.

A ordem judicial é cumprida na casa da investigada. Ana do Contorno do Corpo chegou a gravar vídeos em Brasília, no dia 8 de janeiro, data em que os prédios do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF) foram atacados. À época disse: “Perdeu, Mané! Estamos aqui por você, Bolsonaro”. Ela chegou a ser presa, mas foi solta recentemente.

A investigação aponta que ela teria auxiliado na organização do transporte de bolsonaristas do Médio-Norte para Brasília com vistas às manifestações de 8 de janeiro. Ana foi candidata à vereadora por Tangará da Serra por duas vezes, sem êxito. Em 2016, concorreu pelo PSDB e obteve 309 votos. No pleito de 2020, pelo mesmo partido, registrou 375. Em 2021, chegou a ser nomeada pelo prefeito Vander Masson como secretária municipal de Assistência Social, mas ficou poucos dias no cargo.

A operação

Em Mato Grosso, além do mandado contra Ana do Contorno do Corpo, são cumpridos oito ordens de busca, sendo quatro em Cuiabá, um Chapada dos Guimarães, um em Sorriso, um Sinop e um em Cáceres. Ação acontece também em Santos/SP, São Gonçalo/RJ e em Brasília/DF.

Policiais federais cumprem medidas judiciais em relação a 12 investigados, sendo cinco prisões preventivas e 13 mandados de busca e apreensão, todos expedidos pelo STF.

Os fatos investigados constituem, em tese, os crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa, incitação ao crime, destruição e deterioração ou inutilização de bem especialmente protegido e crimes da lei de terrorismo.

As investigações continuam em curso e a Operação Lesa Pátria se torna permanente, com atualizações periódicas acerca do número de mandados judiciais cumpridos.