Cuiabá, 16/10/2026

Executor reconhece coronel e diz que foi pago para resolver disputa de terras

Roberto Zampieri teria conseguido tirar a terra de um fazendeiro e estaria em processo contra o irmão dele

Reprodução

O suposto executor do advogado Roberto Zampieri, Antônio Gomes da Silva, revelou em depoimento à polícia que foi contratado para matar a vítima por causa de uma disputa de terras. O advogado teria conseguido tirar uma propriedade de um fazendeiro e a execução seria para evitar que ele conseguisse "tomar" a terra do irmão desse fazendeiro também.

"O Barbosa falou: tem um pessoal aí que está precisando [de um serviço]. Tem um cara que está roubando fazenda do pessoal lá em Cuiabá e a gente precisa de alguém para executar", contou Antônio em depoimento.

O Barbosa citado por ele é Hedilerson Barbosa, de 53 anos, que seria o intermediador do crime e teria contratado o executor por R$ 40 mil. O assassinato foi no dia 5 de dezembro e a negociação começou dias antes. 

"Até recebi um áudio do Barbosa, que o coronel passou pra ele, da pessoa falando do motivo. O dono da fazenda falando assim: ele já ficou com a minha [terra]. Isso tem que ser rápido, porque ele já pegou a minha e agora vai pegar a do meu irmão", disse

Antônio se encontrou então com Hedilerson Barbosa para negociar o crime. "Ele me mostrou um papel com a foto do Dr. Roberto, o escritório e o endereço. Ele falou: tem esse cara aqui que é grileiro lá em Mato Grosso, está pegando as fazendas do povo lá e fazendo trambicagem com documentação. Precisa dar um jeito nele", relatou.

O executor relatou as informações que chegavam para ele não era diretamente do mandante, sim por Hedilerson, que recebia ordens coronel da reserva do Exército brasileiro Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, suspeito de financiar o crime. Este, por sua vez, recebia ordens de um mandante, que ele não soube identificar.

"Então, essa pressão vinha de alguém para o coronel e o coronel passava para o Barbosa", relatou. Em seguida, ao ser questionado se conseguiria reconhecer o coronel, ele confirmou. Foi mostrado uma foto com algumas pessoas e Antônio apontou para um "de azul", que era justamente o coronel Etevaldo.

Prisões

Antônio Gomes da Silva foi preso em 20 de dezembro em Santa Luzia, região Metropolitana de Belo Horizonte (MG). Na mesma data foi detida no estado mineiro a empresária e farmacêutica Maria Angélica Caixeta Gontijo, apontada como suposta mandante do crime.

Montagem: Beatriz Passos

E, dois dias depois, a polícia prendeu Hedilerson Fialho Martins Barbosa, suposto intermediador do crime.

As investigações da Delegacia de Homicídios de Cuiabá apontaram que, após contratar o executor pelo valor de R$ 40 mil, o intermediário despachou uma pistola calibre 9 mm, registrada em seu nome, para Cuiabá, no dia 5 de dezembro, a mesma data em que ocorreu o crime. Antônio também contou em depoimento que chegou a inventar uma história que tinha perdido suas armas em blitz para conseguir ajuda do intermediador, já que o atirador não tinha nenhuma arma.

O encontro entre o intermediador e o executor para entrega da arma ocorreu em um hotel, onde os dois ficaram hospedados na capital mato-grossense, no dia 5 de dezembro, data do crime.