Investigador e PM discutiram antes de briga por arma, relata funcionária
Mulher disse que policiais teriam se estranhado momentos antes da situação terminar com a morte do PM
Uma funcionária da conveniência Conte Comigo afirmou à Polícia Civil que o investigador da Polícia Civil, Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, de 39 anos, e o cabo da Polícia Militar Thiago de Souza Ruiz estariam se desentendendo antes mesmo de entrarem em luta corporal. Mário Wilson foi preso por atirar e matar o PM horas após o crime, na quinta-feira (27). Autor confesso, ele se entregou espontaneamente à Polícia Civil e alegou legítima defesa.
A versão da funcionária foi relatada durante depoimento para a Polícia Civil. De acordo com documento ao qual o #rdnews teve acesso, a funcionária relatou que o cabo Thiago chegou ao estabelecimento com o distintivo no pescoço, acompanhado de um outro homem. Logo depois, Mário também entrou no local junto com um amigo. O rapaz que estava com Thiago teria apresentado ele à Mário, segundo o depoimento.
Olhar Direto
Alguns minutos após, Thiago e Mário teriam começado “a se estranhar”. O amigo da vítima teria tentado apaziguar e pediu que eles entrassem para um outro espaço. Mas o desentendimento entre os dois teria continuado. Ela não soube informar qual seria a motivação da discussão, uma vez que só percebeu os ânimos alterados pela expressões.
Em dado momento, um rapaz que tentou apaziguar a situação teria saído para fumar e Thiago foi ao banheiro. Ao retornar, a vítima sentou na mesa e um cliente teria dito: “Vamos trocar de assunto, já resolveu isso ai, vocês são todos colegas de trabalho”. A funcionária informou que não sabe a relação do cliente com os envolvidos e tampouco para onde ele teria ido após falar com eles.
Depois disso, segundo ela, Mário se levantou, sacou a sua arma e pegou a arma da vítima. Em seguida, ele guardou a sua e Thiago então teria partido para cima dele.
A funcionária ainda conta que ficou assustada e saiu correndo para fora do estabelecimento. O amigo de Thiago percebeu o que estava acontecendo e voltou para dentro. Nesta correria, o trabalhadora afimou só ter ouvido vários disparos e a voz que seria da vítima dizendo “olha o que ele fez comigo”.
Após os tiros, um rapaz chegou em um carro preto. A mulher disse que foi o mesmo que teria deixado Thiago na conveniência horas antes. Neste momento, o amigo da vítima e o rapaz do carro preto teriam colado ele dentro do carro e dito “vamos levar ele para o hospital”.
De acordo com depoimento da mulher, a partir disto a Polícia Militar chegou no local e atendeu a ocorrência.
O caso
O crime aconteceu na madrugada desta quinta (27) em uma conveniência localizada na Avenida Estevão de Mendonça. A vítima chegou a ser encaminhada às pressas para o Hospital Jardim Cuiabá, mas não resistiu. Lotado na Delegacia Especializada de Roubo e Furtos (Derf) de Cuiabá, o investigador se apresentou horas depois na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. Após ser interrogado, o policial foi autuado em flagrante por homicídio qualificado.
As investigações seguem em andamento pela DHPP e pela Corregedoria para apurar as circunstâncias dos fatos e a motivação do crime. Câmeras de segurança da conveniência capturaram o momento da briga e do homicídio. Pelas imagens é possível ver ambos sentados na mesma mesa e, em seguida, o início da confusão que terminou em luta corporal e morte.
Policial alega legítima defesa
A defesa do policial civil afirmou ao #rdnews, nesta sexta (28), que o investigador desarmou o militar sem saber que ele era policial, porque Thiago estaria “alterado”. Alega, ainda, que Mário Wilson efetuou os disparos por medo de morrer.