Líder do CV, Batmam operacionalizou lavagem de dinheiro inspirada no PCC
Batman, segundo investigações das Forças de Segurança Pública, era responsável, mesmo de dentro Penitenciária Central do Estado pela parte contábil da organização criminosa
Arte: Rodinei Crescêncio
Criminoso conhecido como Batman era responsável pela parte contábil da facção criminosa
Repetindo ações já feitas pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), Jonas Souza Gonçalves Junior, o Batman, alvo principal da operação Mandatário, deflagrada por dois dias pela Forças de Segurança de Mato Grosso, recorreu a um especialista na prática de lavagem de dinheiro. Eles conseguiram terceirizar a lavagem de dinheiro para que ocultassem e dissimulassem o patrimõnio obtido com o tráfico de drogas. Segundo as investigações, Batman faz parte do Núcleo 02 do Comando Vermelho (CV).
Em 2021, a Polícia Federal (PF) em São Paulo desarticulou um esquema do PCC semelhante ao do CV em Mato Grosso. O esquema Movimentou pelo menos, R$ 700 milhões em lavagem de dinheiro do tráfico de drogas. Os alvos foram um escritórios de advocacia, contabilidade, empresas e residências.
Batman, segundo investigações da FTSP-MT, era responsável, mesmo de dentro Penitenciária Central do Estado (PCE), pela parte contábil da organização criminosa. Como já estava preso, o mandado de prisão foi cumprido dentro da cadeia. Contudo o braço direito dele, que se formou recentemente em direito e estava estagiando em um escritório em Cuiabá e recolhia toda a contabilidade, foi preso ontem. As investigações decorrem da prática do crime de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
O mandado em Campo Grande foi contra um homem que era responsável por receber parte do dinheiro lavado. Contudo, ele ainda não foi localizado e já é considerado foragido.
Batman
Em fevereiro de 2017, Batman e a esposa (que também foi alvo da operação Red Money) criaram a J.J Informática, principalmente, para promover lavagem de dinheiro e movimentar os valores da facção criminosa.
Em análise financeira, a Polícia Civil descobriu que a J.J Informática, em apenas quatro meses, movimentou cerca de R$ 800 mil. Porém, nenhuma das movimentações e pessoas identificadas tinham ligação com o objeto social da empresa, ao contrário das pessoas que realizaram transações com o estabelecimento.
Pelo menos 180 possuíam antecedentes criminais ou algum vínculo pessoal com criminosos e condenados pela Justiça, grande parte deles presos na PCE.
Ao lado da J.J Informática, outras contas bancárias foram identificadas e definido um “núcleo de liderança”, no que se refere à movimentação financeira da facção criminosa. No período de 1 ano e 6 meses, houve circulação de montantes entre R$ 5 milhões a R$ 800 mil, dependendo do CPF.
Operação
A organização criminosa foi pega de surpresa, uma fez que fugindo do tradicional, as Forças de Segurança deflagram a Mandatário na tarde dessa segunda (17) e a ação se estendeu até ontem (18). Os mandados foram expedidos pelo juiz Jean Garcia Bezerra de Freitas, da 7ª Vara Criminal da Comarca de Cuiabá. As ordens foram cumpridos pela FTSP-MT consiste em uma força tarefa composta pela Polícia Federal, Polícia Judiciária Civil, Polícia Militar, Polícia Rodoviária Federal e sistema prisional e tem por objetivo realizar uma atuação conjunta e integrada no combate ao crime organizado que atua no Estado do Mato Grosso.
Ao todo, foram sequestrados 15 veículos, 07 imóveis, além de 10 ordens de bloqueio de contas bancárias e de investimentos, totalizando um valor estimado de cerca de R$ 10 milhões.
Foram cumpridos ainda 12 mandados de busca e apreensão em residências, empresas e até um escritório de contabilidade. Durante as buscas, além de documentos, foram apreendidos uma arma de fogo, joias de grande valor e mais de meio milhão de reais em espécie. Seis investigados foram presos preventivamente e um em flagrante.