Cuiabá, 01/10/2026

Líder do CV capturado no Paraguai, Virgulino é transferido para MT

Equipes da GCCO foram até a fronteira, em Foz do Iguaçu (PR), para realizar o transporte de João Batista Vieira dos Santos

João Batista Vieira dos Santos, vulgo “Virgulino”, apontado como líder da organização criminosa Comando Vermelho, em Mato Grosso, foi transferido de volta para o estado após ser preso no dia 3 de setembro em Assunção, no Paraguai. O faccionado foi localizado portando uma documentação falsa em nome de Raimundo Nonato de Almeida de Souza, durante a Operação Raspa Brasil. Ele estava foragido da Justiça.

A transferência do investigado foi realizada por equipes da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO/Draco), que foram até o município de Foz do Iguaçu, no Paraná, na fronteira com o Paraguai, para buscá-lo.

A prisão de João Batista ocorreu em cumprimento a mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça, durante ação da Polícia Civil de Mato Grosso, com participação da GCCO/Draco, da Gerência de Polinter e Capturas (Gepol), da Polícia Nacional do Paraguai e da Drug Enforcement Administration (DEA), dos Estados Unidos.

O investigado já havia sido flagrado usando documentação falsa anterioramente, em fevereiro de 2023, quando foi localizado em Pontes e Lacerda. Já nas redes sociais, ele se identificava como Lucas Matos.

Em outubro de 2025, equipes da GCCO/Draco apreenderam quase duas toneladas de maconha em uma chácara vinculada ao investigado. Na ocasião, quatro pessoas foram presas.

Ataques e tentativa de resgate

O investigado também é suspeito de participação em um roubo a instituição financeira na modalidade conhecida como “Novo Cangaço”.

Em 2022, ele foi citado em uma investigação sobre a escavação de um túnel de aproximadamente 257 metros, construído a partir de uma residência em Cuiabá em direção à Penitenciária Central do Estado (PCE).

Segundo as investigações, a estrutura seria utilizada para resgatar integrantes da facção que estavam presos na unidade.

Raspadinhas ilegais

As investigações também identificaram a atuação do investigado na administração de recursos da facção, especialmente no esquema denominado “Raspa Brasil Nacional”.

Segundo a GCCO/Draco, ele era apontado como coordenador estadual e atuava na definição de diretrizes financeiras e na expansão da atividade em Mato Grosso.

Monitoramentos registraram o investigado transportando banners e materiais de divulgação das raspadinhas. Análises de aparelhos celulares também identificaram videochamadas e comunicações com outros integrantes responsáveis pelo esquema.

Segundo as investigações, ele exigia planilhas com informações sobre estabelecimentos comerciais, quantidade de bilhetes distribuídos, valores arrecadados e percentuais de repasse.

Em caso de descumprimento, a orientação era acionar a chamada “disciplina” da facção.

Localização no Paraguai

Após deixar Mato Grosso, o investigado permaneceu por um período no Rio de Janeiro, onde, segundo a Polícia Civil, manteve contato com outros integrantes da facção.

Posteriormente, informações obtidas durante as diligências indicaram que ele havia deixado o país, levando as buscas até o Paraguai.

Mesmo foragido, ele manteve atividade nas redes sociais utilizando identidades falsas. Em fevereiro de 2026, publicou imagens feitas no Rio de Janeiro ao lado de uma mulher que tinha cinco mandados de prisão em aberto. Em outra publicação, apareceu com uma arma de fogo com características de fuzil. Também foram identificadas postagens relacionadas a atividades físicas, bares e outros aspectos de sua rotina.

Questão judicial

O investigado já apresentou laudos e alegações de incapacidade mental em processos judiciais. Segundo a GCCO/Draco, porém, os levantamentos realizados durante as investigações registraram comportamentos que, em tese, seriam incompatíveis com uma incapacidade total.

Durante o período em que permaneceu foragido, ele participou de videochamadas, transmitiu orientações e cobrou outros integrantes, mantendo, conforme os levantamentos, atuação na facção criminosa.

Diante desses elementos, a GCCO/Draco encaminhou informações às autoridades competentes para subsidiar pedido de revisão dos laudos apresentados nos processos judiciais.

Com a prisão no Paraguai, serão adotadas as medidas de cooperação internacional necessárias para o cumprimento das ordens judiciais existentes contra o investigado. (Com informações da assessoria)