Naco mira compra de fazenda por ex-prefeito paga com 100 cabeças de gado
Investigadores não encontraram registros oficiais de movimentação pecuária compatíveis com a transação
O Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco) apura a compra de uma propriedade rural feita pelo ex-prefeito de Pontes e Lacerda (a 448 km de Cuiabá) e candidato a deputado estadual, Alcino Barcelos (PL). Nesta sexta (25), ele foi alvo de uma operação que investiga fraudes em licitações na Prefeitura da cidade. Com a atualização monetária, o dano ao erário alcança cerca de R$ 5,78 milhões.
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O ex-prefeito Alcino Barcelos
Segundo o Ministério Público, a investigação identificou a compra da propriedade rural Estância Rancho Fundo I pelo ex-prefeito de Pontes e Lacerda, Alcino Pereira Barcelos. De acordo com a apuração, a negociação previa o pagamento por meio da entrega de 100 cabeças de gado da raça Nelore. Os investigadores não encontraram registros oficiais de movimentação pecuária compatíveis com a transação.
Outro lado
Contra Alcino, foi cumprido mandado de busca e apreensão. O ex-prefeito não estava em sua residência no momento do cumprimento da ordem judicial. Ao #rdnews, ele afirmou que está voltando para a cidade e, assim que tomar conhecimento, irá se manifestar.
A operação
Na operação, está sendo apurado possíveis crimes de fraude em licitações, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Segundo a investigação, há indícios de favorecimento da empresa Concretubos Pré-Moldados Ltda. em contratos celebrados com o município.
Conforme o Naco, foram identificados sete contratos entre a empresa e a administração municipal. Desses, cinco foram firmados entre 2022 e 2023 e totalizaram cerca de R$ 4,7 milhões. Com a atualização monetária, o valor alcança R$ 5,78 milhões.
Também foram apontados possíveis vínculos familiares, empresariais e funcionais entre agentes públicos e particulares relacionados às contratações. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) também identificaram movimentações financeiras suspeitas.
As medidas autorizadas pela Justiça incluem mandados de busca e apreensão, acesso a dados telemáticos, quebra dos sigilos bancário, fiscal e financeiro dos investigados, além da indisponibilidade de bens, direitos e valores. A ação conta com apoio da Polícia Civil (PJC) e da Controladoria-Geral do Estado (CGE).
O Naco é um grupo operacional permanente formado pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso e Polícia Judiciária Civil.