Nove PMs fazem parte de quadrilha de agiotagem e líder é ex-militar, diz Gaeco
Representantes da Gaeco explicaram ainda que o grupo fazia movimentações milionárias e o esquema envolve também uma cadeia de outras pessoas ligadas aos criminosos
Investigação do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) aponta que a quadrilha suspeita de crimes de extorsão e agiotagem em Mato Grosso era formada por pelo menos nove policiais militares, sendo um deles o líder do esquema criminoso. Dos nove envolvidos, seis são policiais ativos, dois são aposentados e um pediu exclusão da PM. No total, o grupo tinha 24 integrantes.
A informação foi confirmada pelo promotor João Batista e pelos delegados Hércules Batista Gonçalves e Angelina de Andrade Ferreira, durante coletiva realizada na manhã desta quarta-feira (26), na Procuradoria-Geral de Justiça.
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A quadrilha também vai responder pelos crimes de falsificação de documentos, lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial. Segundo o delegado Hércules, o grupo praticava movimentações milionárias a partir da cobrança de juros abusivos em seus empréstimos. Gonçalves afirmou que a quadrilha exigia cerca de 50% em juros cobrados das vítimas. O representante da Gaeco frisou ainda que, para os "colegas de farda", a quantia da agiotagem era menor, chegando a 15%.
João Batista, por sua vez, revelou que existiam ainda outras pessoas por fora que auxiliavam os crimes, como familiares e amigos dos policiais militares. "É uma cadeia de indivíduos. Houve inicialmente um enriquecimento ilícito, e a gente ainda está apurando por qual meio houve esse enriquecimento ilícito dos policiais. Com esse enriquecimento, eles passavam a praticar agiotagem, que é tecnicamente chamada de usura, e então [aí] nós temos as pessoas que faziam a cobrança e tinham familiares e amigos que estavam envolvidos", afirma Batista.
O promotor opinou também que a operação Fides Fracta em momento algum compromete o trabalho e a eficiência da Polícia Militar de Mato Grosso e reforça que o caso expõe pessoas criminosas dentro da instituição apenas.
Bens apreendidos
O Gaeco afirmou que a operação segue em andamento, mas cerca de 22 bloqueios de bens já foram realizados. Do total, são 11 veículos e, além destes, 8 já foram apreendidos. Ainda no âmbito da operação, 44 aparelhos celulares foram confiscados e diversos notebooks, ATMs, tablets, CPUs. Foram apreendidas também, até o momento, 11 armas.