Cuiabá, 04/10/2026

Oficial de Justiça não encontra família da jovem responsável pelo suposto tiro acidental em mansão no Alphaville

A família do empresário Marcelo Cestari, cuja filha de 14 anos está envolvida no suposto tiro acidental que tirou a vida da jovem Isabele Guimarães, não foi encontrada por um oficial de Justiça em sua mansão de luxo no Condomínio Alphaville I, no bairro Jardim Itália, em Cuiabá.

"O oficial esteve na casa dele, que foi o local de disparo, e não o encontrou na casa", afirmou a defesa da família de Isabele, o advogado Hélio Nishiyama, a jornalistas na entrada da Delegacia Especializada do Adolescente (DEA), na manhã desta quinta (23).

Bárbara Sá

O advogado Hélio Nishiyama é responsável pela defesa da família da menina Isabele

A reportagem do #rdnews apurou que o segurança do condomínio de luxo contou ao oficial que não havia ninguém no imóvel desde o dia da morte de Isabele. Mas, mesmo assim, ele foi até lá e viu que havia dois veículos de modelos não especificados e várias bicicletas. Ninguém atendeu aos seus chamados e, segundo despacho do oficial, a casa tem aparência "de que há dias que não tem pessoas lá face a poeira".

O mandado de intimação também relaciona um segundo endereço, uma loja para artigos e equipamentos militares, localizada na avenida General Melo, também em Cuiabá. Um funcionário conta que Marcelo não trabalha lá e que apenas ia à loja como qualquer outro cliente e que não sabe onde seria possível encontrá-lo. O oficial tentou ligar no celular do empresário por 14 vezes, mas em todas uma voz eletrônica informa que o aparelho estava desligado.

A intimação serve para notificar o empresário de 46 anos para que ele e sua defesa se manifestem sobre o aumento da fiança. No dia seguinte à morte de Isabele, a Polícia Civil encontrou duas armas, em um total de sete, não registradas na mansão e, por isso, ele foi preso e solto depois de pagar R$ 1 mil de fiança, valor estipulado pela própria polícia. Contudo, o valor foi questionado por Hélio, que apontou o patrimônio milionário do empresário e quis fixar a liberdade em R$ 1 milhão.

O juiz João Bosco Soares da Silva, da 10ª Vara Criminal de Cuiabá, atendeu em parte ao pedido do advogado. Ele concordou em aumentar, mas para R$ 209 mil. Marcelo recorreu ao Tribunal de Justiça e alegou crise financeira por conta da pandemia de coronavírus. O desembargador Rondon Bassil Dower Filho derrubou a decisão de 1ª instância por entender que o magistrado ouviu todos, menos o próprio Marcelo, e viu a ilegalidade da coação.

Reprodução

O empresário Marcelo Cestari não foi localizado pelo oficial de Justiça que tenta intimá-lo

Por causa da decisão do desembargador, o oficial de justiça foi designado para notificar o empresário para que apresentasse suas alegações quanto à posse ilegal de arma de fogo e o pedido de aumento da fiança. 

Mas, sem ser localizado, o empresário não pôde ser comunicado oficialmente para dar sua versão. Informações não apuradas dariam conta de que Marcelo estaria um imóvel na região do Manso, mas o advogado Hélio não tem conhecimento do paradeiro. Após ser intimado, ele tem até cinco dias para dar a resposta.

Segundo Hélio, o empresário deveria comunicar sobre a mudança de endereço. Porém, o advogado soube que ele vai se manifestar no processo.

O defensor da família da menina morta não concorda com o argumento de crise e disse que Marcelo pode pagar a fiança disponibilizando bens, imóveis e propriedades em seu nome. "Agora, o que não é aceitavel é que a liberdade dele seja condicionada a mero pagamento de R$ 1 mil", disse.

Hélio também não comentou o resultado do laudo premilinar da Politec. Segundo as investigações dos peritos, o tiro dado pela jovem da família Cestari teria ocorrido a menos de 50 cm de Isabele e em linha reta. No entanto, a Politec disse em nota que a informação da distância sequer consta em laudo enviado à DEA e que exames ainda estão em andamento.