Cuiabá, 25/10/2026

Ordem para matar e decapitar 4 maranhenses partiu de dentro da PCE

Vítimas foram mortas com requintes de crueldade por membros do CV. Polícia procura corpos

Rodinei Crescêncio

Sequestro, decapitação, espancamento e morte de quatro maranhenses: Tiago Araújo, 32 anos, Paulo Weverton Abreu da Costa, 23 anos, Geraldo Rodrigues da Silva, 20 anos, e Clemilton Barros Paixão, também de 20 anos, foram determinados pelo Comando Vermelho de dentro dos muros da Penitenciária Central do Estado (PCE). A revelação foi feita pelo delegado da DHPP Caio Fernando Albuquerque, responsável pelas investigações.

Segundo ele, sete dos nove criminosos envolvidos nos homicídios foram identificados e alvos da operação Kalýpto, deflagrada nesta terça (24), em Cuiabá. Da lista, dois estão foragidos e outros dois tiveram os mandados cumpridos dentro da PCE - veja quadro com nomes.

Rodinei Crescêncio

Conforme às investigações, o grupo invadiu o conjunto de quitinetes onde moravam, no Jardim Renascer, região do Coxipó, e fortemente armados invadiram o local, por volta das 18h30 e levaram os quatro de lá. “Eles invadiram conjunto de quitinetes na rua Nova Mutum. Lá se encontravam os maranhenses. Dois irmãos, um cunhado e um amigo. E lá, pelo argumento de que talvez integrassem facção rival, retiraram essas pessoas à força, mediante emprego de arma de fogo. E as levaram para o local ainda não descoberto”, diz o delegado.

Ainda segundo ele, durante esses quase dois anos de investigação, muitas diligências oitivas e provas técnicas “demonstraram e colocaram cada um dos envolvidos no cenário dos fatos. Boa parte deles no palco do sequestro”, explicou.

Após serem sequestrados, os trabalhadores passaram pelo tribunal do crime e foram condenados à morte por supostamente conhecer membros das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Bonde dos 40, no Maranhão. Paulo morreu decapitado, enquanto Tiago teve três dedos amputados e morreu em decorrência de um tiro no peito. A ação teria sido filmada pelos criminosos, mas a família e a Polícia nunca tiveram acesso ao conteúdo. Geraldo e Cleiton foram mortos com tiro na nunca.

Caio detalha que, para dar prosseguimento às investigações, uma equipe da Polícia Civil viajou até o Maranhão para que familiares pudessem falar. “Foram perseguidos e obrigados a irem embora de Mato Grosso. Deram depoimentos detalhados de como tudo aconteceu. Eles apenas querem enterrar seus entes queridos e isso já tem dois anos”, contou.

O delegado informou ainda que seguem as diligências e investigações para descobrir onde estão os corpos das vítimas. “Esse crime foi bárbaro. Um dos alvos está envolvido na morte da motorista de aplicativo Natana da Silva, de 30 anos, em julho de 2020. Isso mostra o grau de periculosidade dos envolvidos. A morte destes quatro, ocorreu porque eles supunham que eram membros de outra organização criminoso. Apenas um, o cunhado tinha passagens policiais no Maranhão. Os outros não tinham nada. Mas, isso é independente, pois não estamos na Lei de Talião”, pontuou.

Fabiana Mendes/OD

Alvos

Os alvos da Operação Kalýpto, são Vinício Barbosa da Silva, o Melancia, de 28 anos; Cleiton Ozorio Carvalho Luz, vulgo Mané, de 38 anos; Cleison Thiago Xavier dos Santos Luz, de 23 anos; Marcelo Wagner Cruz de Oliveira, Macaco ou índio, de 34 anos; Igor Augusto da Silva Carvalho, Barbado, de 27 anos; Leondas Almeida de Jesus, o Léo Maconha, de 25 anos, e Gabriel Ítalo da Silva Costa, o Torto, de 28 anos.

Léo Maconha é apontado pela polícia como um dos principais líderes da facção criminosa Comando Vermelho no bairro Renascer e região. Ele e Gabriel Ítalo estão foragidos.