Cuiabá, 30/10/2026

Organizados, alvos de operação “tocavam o terror” em Sorriso, diz Polícia

De dentro de unidade prisional em VG, líder do bando ordenava sequestros e extorsões

PJC

A associação criminosa, desmantelada pela Polícia Civil no Nortão durante a Operação Saga de Gêmeos, deflagrada na quinta-feira (23), "tocava o terror” em Sorriso (a 420 km de Cuiabá). A informação consta na representação criminal feita pela PJC à Justiça, quando foram requeridos mandados de prisão e de busca e apreensão contra os supostos membros da quadrilha.

O documento, ao qual o #rdnews teve acesso, aponta a participação de oito pessoas no núcleo criminoso, que dentro do Comando Vermelho, se associavam para a prática de sequestro mediante a extorsão. Em um dos casos, uma vítima precisou pular de um carro em movimento para conseguir se salvar. E mesmo assim, segue recebendo ameaças de mortes dos criminosos.

“É sabido o estado de terror que o município de Sorriso-MT foi colocado pelos criminosos que, principalmente em tempos recentes, se aproveitam com tranquilidade do estado de impunidade”

“É sabido o estado de terror que o município de Sorriso-MT foi colocado pelos criminosos que, principalmente em tempos recentes, se aproveitam com tranquilidade do estado de impunidade”, ressalta a representação.

As investigações apontam que o grupo era supostamente liderado por Edson Gerson Machado de Moura, vulgo "Panda", que comandaria a associação criminosa direramente do bloco B, raio 5, ala 6, cela 4, no Complexo Penitenciário Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande. Ele é apontado como líder e “gerente intelectual” do bando.

A atuação do grupo, aliás, foi descoberta após o sequestro violento de um empresário de Tangará da Serra (a 240 km da Capital), em janeiro deste ano. Na ocasião, a Polícia Civil descobriu a suposta participação de Michaelle Pereira da Silva no esquema, uma vez que ela foi a responsável por receber o dinheiro extorquido da vítima.

"É cristalino nos autos o fato de que a associação atua de forma permanente e constante, causando instabilidade e trazendo medo às pessoas honestas de nossa comunidade. A conduta perpetrada pelos suspeitos é de altíssima reprovabilidade, violenta e, no caso da extorsão mediante sequestro, causa pânico generalizado na comunidade”, destacou a PJC, no requerimento.

Arte: Rodinei Crescêncio/RDNews

Organograma

Segundo a Polícia Civil, o grupo é dividido em três escalões. No topo está Panda, que comandaria a associação. Em seguida, aparece Leonardo da Silva Araújo que, quando as investigações foram iniciadas, era foragido da Cadeia de Sorriso, com dois mandados de prisão em aberto emitidos pela 1ª Vara Criminal da Comarca daquele município.

Leonardo, explica a Polícia, teria a função de atrair as vítimas para concretizar transações comerciais inexistentes, a fim de que seus comparsas executassem o sequestro e, posteriormente, exigissem uma determinada quantia em dinheiro pelo resgate.

Na cadeia de comando, logo em seguida, aparece Emmilly Pereira Silva, que teria a função de gerenciar as associadas que “emprestavam” as contas que seria usadas para receber os valores ilícitos captados pela associação criminosa.

A Polícia ainda aponta a participação de Sarah Cristinah Amaral Sobrinho, em seguida, como mais uma das integrantes responsáveis por receber o dinheiro dos resgates e pulverizá-lo em contas da associação criminosa. Michaelle Pereira da Silva era uma terceira associada que também emprestaria a conta para o recebimento do dinheiro das vítimas.

Na sequência, aparece Alex Ravel de Souza Ramos, investigado pela Polícia Civil por ser o suposto responsável pela gestão dos valores vindos do tráfico de drogas na região do bairro Jaime Seti Fujii, em Lucas do Rio Verde. Investigado por ser um dos sequestradores está João Henrique Curado de Magalhães, citado como um "conhecido criminoso da cidade de Várzea Grande, com imenso histórico delitivo".

Junto a ele atuaria mais um alvo, Gustavo Castro da Silva - que inclusive chegou a ser reconhecido pela vítima de Tangará da Serra como um de seus sequestradores.

As investigações apontaram que a associação criminosa geralmente usava fotos de terceiros no WhatsApp e, após pegarem as vítimas e concluírem as transações, sempre destruíam os chips antigos e arrumavam novos imediatamente.

Saga de Gêmeos

Ao todo, a operação cumpriu 10 mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão, além da quebra de sigilos temáticos contra o grupo. As ordens judiciais foram cumpridas em Sorriso, Cuiabá, Várzea Grande e Lucas do Rio Verde.